Protestos reunem seis mil em Curitiba
Israel Reinstein Giovani Ferreira
Os protestos realizados ontem em Curitiba reuniram aproximadamente seis mil pessoas. O número ficou abaixo da expectativa dos movimentos sindicais, que esperavam contar com a participação de pelo menos dez mil manifestantes. A projeção feita pela Polícia Militar aponta para um número entre quatro e cinco mil pessoas.
A grande massa do manifestado era composta por professores e funcionários da rede estadual de ensino, que representaram mais da metade dos participantes. Conforme informações da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), além dos trabalhadores da educação de Curitiba e Região Metropolina, centenas de pessoas lotaram 47 ônibus que vieram do interior do Estado.
A maior concentração de manifestantes aconteceu entre 10 e 12 horas, com a presença de servidores municipais, estaduais, estudantes e trabalhadores sem-terra. Eles ocuparam a Praça Nossa Senhora da Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, onde mais de mil sem-terra estão acampados há dez dias. As barraquinhas de comida e os vendedores ambulantes tiveram movimento maior ontem com as várias categorias reunidas no Centro Cívico.
Durante toda manhã e parte da tarde os manifestantes protestaram contra os governos Jaime Lerner e Fernando Henrique Cardoso. Cada categoria pedia mudanças específicas em sua área. Enquanto os sindicatos que representam os servidores municipais de Curitiba protestavam em frente ao prédio da prefeitura, os servidores estaduais lotaram as galerias da Assembléia Legislativa. Nesse momento os estudantes universitários e secundaristas chegavam em frente ao Palácio para reforçar o movimento.
A Polícia Militar mobilizou um grande efetivo para garantir a segurança nas ruas do centro da cidade e na área do Palácio Iguaçu. O prédio sede do governo ficou com as portas fechadas e a entrada foi rigidamente controlada. As manifestações, contudo, foram tranquilas, segundo a própria avaliação da PM.
Impeachment-A União Parananense dos Estudantes (UPE) aproveitou a série de manifestações previstas para ontem em Curitiba e realizou um movimento pedindo impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os estudantes também questionaram a política educacional dos governos federal e estadual, e manifestaram apoio ao MST.
Cerca de 500 pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram da passeta, que começou na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná, e seguiu até o Centro Cívico onde se juntou às demais manifestações . A adesão dos estudantes foi semelhante a ocorrida no período pré-impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, disse o secretário geral da UPE, Joel Benin. Ele considera que agora é momento dos caras-pintadas pedirem o fim do governo FHC. A popularidade do presidente está mais baixa que a de Collor, antes do impeachment, diz.
Os estudantes criticam também o governador Jaime Lerner a quem acusam de reproduzir a mesma política do governo federal, cortando gastos na educação e saúde.Enquanto as categorias de servidores apresentavam reivindicações próprias, os estudantes pediam impeachment de FHC
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