Protestos na Rua Bahia só vão parar com semáforo
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segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Hoje, faz uma semana que o representante comercial Joaquim Pires Fernandes, 75 anos, está internado num leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Londrina. Atropelado no início da noite do último dia 23, é a vítima mais recente do cruzamento das ruas Piquiri com Bahia, na Vila Nova (área central). Ontem, pela segunda semana seguida, moradores fecharam a via e promoveram um apitaço com faixas exigindo a instalação de um semáforo no local. Eles prometeram que a rua será fechada toda semana até que a reivindicação seja atendida.
Os cruzamentos da rua Bahia com Piquiri e Bahia com Paraguaçu foram fechados para o trânsito por volta das 17h30 e só foram liberados após as 19 horas. Uma faixa indicava que mais de 20 pessoas já morreram no trecho nos últimos anos. ''Quantos ainda precisam morrer?'', questionaram os moradores. Com apitos, latas e pneus, eles impediram a passagem de veículos. Um motorista avançou sobre os manifestantes, muitos deles crianças, e quase teve o carro depredado. Tanto a Polícia Militar quanto a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) teriam sido avisadas mas não compareceram.
Morador desde 1952 na rua Piquiri, o aposentado Salvador Moresca, 87 anos, já perdeu a conta de quantos acidentes presenciou. E pegou tanto medo de atravessar a rua Bahia que só vai ao supermercado em horários que sabe que o fluxo de veículos é menor. ''Só vou lá pelas duas da tarde. Antes ou depois disso não tem condições'' falou. Segundo a moradora Cristina Montrezoli, ''enquanto não colocarem o semáforo na rua Piquiri não vamos parar com os protestos'', advertiu.
O gerente de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, alegou que a rua não tem demanda para receber um semáforo. ''Na Piquiri, passa apenas uma média de 50 carros por hora e isso é praticamente insignificante. No ano passado, só registramos um acidente e apenas com danos materiais'', apontou. Ele disse que em setembro, um semáforo será instalado no cruzamento da Bahia com Amapá, onde o fluxo de trânsito é cinco vezes maior. ''Acho que isso vai aliviar bastante e dar mais tempo para quem atravessar a Piquiri'', afirmou.


