Protestos marcam Dia Combate às Barragens
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Movimentos contrários à construção de barragens realizam hoje diversas mobilizações que marcam o Dia Internacional de Combate às Barragens. No Paraná estão previstas manifestações em Adrianópolis, Jataizinho e Ortigueira.
Existem no Estado mais de 100 barragens e diversas ações públicas contrárias à iniciativa, movidas pelo Ministério Público (MP) estadual e federal, municípios e ONGs. Os principais argumentos são relacionados à inconformidade com a legislação e prejuízos socioambientais. Cerca de 20% da energia consumida no Brasil é produzida no Paraná, o que configura a região como uma das mais afetadas do País.
Para os movimentos contrários à causa, a perda ambiental e cultural é desfavorável em relação aos lucros obtidos com a iniciativa. ''É desigual, um impacto enorme para as pessoas que sofrem com a construção de barragens e populações tradicionais como os índios, quilombolas e ribeirinhos. Vira tudo fundo de lago'', afirma o promotor Robertson Fonseca de Azevedo, do MP.
Em Adrianópolis, a manifestação de hoje é um estímulo para a continuidade da luta contra a construção da Usina de Tijuco Alto, no Vale do Ribeira, divisa com o Estado de São Paulo. O local é cenário de um impasse que dura mais de 20 anos. A concessão para a exploração dos recursos no Vale do Ribeira foi entregue em 1988. Desde então, ações públicas tentam reverter a decisão e em 2003 o pedido de licença para as obras foi indeferido.
Mesmo sem o ínicio da construção no local, a comunidade sofre com o impasse. O desenvolvimento econômico da região é prejudicado, pois não há investimento na área. ''Esperamos o engavetamento definitivo da proposta, que é um atraso e desestimula o desenvolvimento na região. Queremos desenvolver o ecoturismo, o ecoturismo rural e as potencialidades da região'', afirma a presidente do Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultora, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (Sindiseab), Laura de Jesus.
De acordo com ela, a construção da barragem vai afetar toda a biodiversidade da área, que abriga o Aquífero Karst. A previsão é que três mil pessoas sejam desalojadas, mas o impacto do empreendimento vai atingir também as comunidades próximas. ''É um estrago muito grande, imprevisível'', avalia.


