Protestos agitam periferia de Curitiba
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
Gilson CamargoRomaria denunciou a falta de qualidade de vida na periferiaAs manifestações de 1º de maio foram mais intensas nos bairros da periferia de Curitiba e tiveram como objetivo denunciar o descaso da prefeitura em relação à falta de moradia e de qualidade de vida nos bairros mais afastados. No bairro da Fazendinha, a 9ª Romaria do Trabalhador reuniu 600 pessoas segundo a Polícia Militar e 1.500 pessoas segundo os organizadores, para reivindicar mais atenção da prefeitura às vilas do bairro e também para protestar contra a situação de opressão, exploração e injustiça que o trabalhador vem sofrendo.
A procissão percorreu um quilômetro entre o terminal da Fazendinha e a paróquia Santa Amélia. Ali perto, na Cidade Industrial, os moradores da vila Nossa Senhora da Luz se reuniram e bloquearam ruas em protesto contra o abandono do bairro. Eles, que moram num dos primeiros bairros a concentrar trabalhadores da CIC, reclamam que a prefeitura continua se preocupando apenas com o centro de Curitiba.
As manifestações, coordenadas pela Pastoral Operária da Arquidiocese de Curitiba, tiveram a participação de militantes de cerca de 32 entidades envolvidas com o direito dos cidadãos, entre elas associações de moradores dos bairros da periferia, grupo de mulheres, dos negros, de jovens e outros.
Um levantamento feito pela Pastoral Operária Arquidiocesana aponta que o bairro da Fazendinha, na periferia de Curitiba, tem o maior número de lotes irregulares. São cerca de 3.200 lotes onde em cada um moram de duas a três famílias. Para denunciar a falta de moradia, a entidade escolheu a Fazendinha para realizar a Romaria, em homenagem ao 1º de maio.
Conforme o levantamento da Pastoral Operária a vila campeã de lotes irregulares é a Nova Barigui, com 735 lotes. Em seguida, vem Alto Barigui com 660 e Vila Concórdia, com 340 lotes irregulares.
O problema dos lotes irregulares, de acordo com a Pastoral Operária, é a falta saneamento básico, segurança, antipó, postos de saúde e até energia elétrica. Na Vila Luana, 26 famílias estão sem energia elétrica e moram em terrenos sem abertura de ruas. Além de denunciar a falta de condições de vida da população que vive na periferia de Curitiba, os participantes da romaria levaram faixas e gritaram palavras de ordem em favor da reforma agrária e contra o desemprego e as injustiças que afetam os trabalhadores.


