Protesto vira tumulto em Florestópolis
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
Luciane Tonon 
Dorico da SilvaAmeaça de invasãoQuase todo o efetivo do 15º BPM foi deslocado para Florestópolis; casa da família do atropelador ficou cercada durante todo o diaO protesto contra a falta de sinalização na PR-170 e a manifestação de luto pelas vítimas de atropelamento Marta Mota da Silva, 22 anos, e as filhas Daiane Mota da Silva, 4 anos, e Geane Mota da Silva, 2 anos, em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), geraram tumulto na cidade ontem pela manhã.
Familiares e amigos das vítimas pediam justiça contra João Fernando Sanches Carnelossi, 21 anos, autor do atropelamento ocorrido domingo à noite, e ameaçaram destruir a oficina onde o Escort placa AEC 3271, de Florestópolis, estava para conserto. Os manifestantes também tentaram invadir a casa da família Carnelossi. Marta e Daiane morreram no local do acidente e Geane morreu ontem pela manhã no Hospital Universitário de Londrina.
A manifestação começou pacífica, por volta das 9 horas. Os manifestantes carregavam cartazes com mensagens de luto e pediam melhor sinalização no local. Mas a notícia da morte de Geane, ontem por volta das 7 horas, provocou revolta. A falta de um líder fez com que os manifestantes se desorientassem em alguns momentos. Houve até chutes na viatura do delegado de Florestópolis, Nicanor Ravagnane.
Dorico da SilvaVandalismoUm dos manifestantes acerta um chute e amassa o carro da polícia
O tumulto começou quando os manifestantes seguiram para a oficina onde estava o Escort. Cerca de 40 policiais do 15º Batalhão da Polícia Militar de Rolândia tentaram proteger os portões da oficina. A frente da casa do atropelador também foi protegida pela PM. Ameaças de linchamento e destruição do carro eram constantes. Um arrastão pelas ruas da cidade fechou todas as portas do comércio local.
Queremos justiça. O motorista estava errado e ele tem que pagar. Ele é um assassino, acusou a mãe de Marta, Dimina Menezes Silva Mota. A irmã da vítima, Janete da Silva Mota, 24 anos, que testemunhou o acidente, contou que o grupo vinha de um encontro evangélico em Maringá, onde passou o dia. Descemos do ônibus e fomos atravessar o asfalto. Quando estávamos quase no acostamento, o carro atingiu minha irmã e as duas sobrinhas - Geane estava no colo de Marta - e jogou elas longe. Também senti o veículo na minha saia, lembrou.
Segundo testemunhas, o carro vinha a uma velocidade de cerca de 100 km por hora. A polícia rodoviária informou que a frenagem do veículo era de 9 metros de comprimento. Rosana da Silva Mota, 19 anos, que também estava junto com as vítimas, disse que no momento do atropelamento Carnelossi ficou desesperado e saiu correndo. Eu tentei segurá-lo pelo colarinho, mas um policial, pensando que ele fosse o pai das crianças, fez com que eu o soltasse e ele fugiu a pé.
A revolta maior era contra a ação da polícia no caso. Carnelossi fugiu do local do acidente e se apresentou à polícia somente dois dias depois. O carro foi liberado no mesmo dia. O delegado de Porecatu, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, que está presidindo o inquérito, explicou que Carnelossi não foi preso em flagrante, mas foi indiciado por homicídio culposo, omissão de socorro e embriaguez ao volante. Ele não vai ficar impune. Entendo a revolta da população, mas temos que esperar o processo legal, afirmou.
Sobre a liberação do veículo, Amaro informou que não foi preciso perícia para incriminá-lo. Já entendemos que houve culpa. O delegado reconhece que Carnelossi tinha costume de andar em alta velocidade pela cidade e até disputar rachas.
Até o início da noite de ontem, alguns manifestantes continuavam em frente da casa de Carnelossi que ainda era protegida pela PM. O carro foi retirado da oficina por medida de segurança e levado para Porecatu, em local não divulgado pela polícia. O enterro da menor Geane Mota da Silva está marcado para hoje de manhã.


