Paulo Pegoraro
De Cascavel
Cerca de 200 taxistas de Cascavel começaram ontem a transportar passageiros por lotação, cobrando apenas R$ 0,85 de cada um, para qualquer ponto da cidade. Os motoristas profissionais que trabalhavam com bandeirada inicial de R$ 2,93, definiram a ‘‘tarifa comunitária’’ como protesto contra a circulação de motocicletas (mototáxi) com passageiros, apesar deste serviço ser clandestino. O valor cobrado pela corrida é o mesmo do transporte coletivo em ônibus, e inferior ao do mototáxi (em média R$ 2,00).
Os taxistas estão percorrendo pontos e terminais de ônibus, oferecendo seus serviços. Eles cobram os R$ 0,85 desde que seus carros sejam ocupados pelo menos por três passageiros de cada vez. Com isso, conseguem atingir ao mesmo tempo dois objetivos: tiram clientes do mototáxi, e ao mesmo tempo criam dificuldades para a Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego (CCTT), que remunera as empresas de ônibus por quilômetro rodado (independente do número de passageiros transportados) e vende passagens.
Desta forma, os taxistas acham que conseguem pressionar a prefeitura a coibir o mototáxi, exigindo o cumprimento de despacho obtido no Tribunal de Justiça que declara a ilegalidade do serviço por não haver lei que o regulamente. Na semana passada, a Câmara rejeitou projeto de lei que regulamentava o serviço. Os 180 mototaxistas permaneceram 10 dias acampados na frente da prefeitura e da Câmara.
Mas os mototaxistas continuam trabalhando. ‘‘Não temos outro meio de sustentar nossas famílias, pois o emprego é escasso’’, afirma Juarez Rodrigues, presidente da associação da categoria. Eles recolhem assinaturas de populares para amparar pedido a ser feito ao Ministério Público do Trabalho, em Curitiba, para que ingresse com medida judicial impedindo que o município coíba o serviço, porque isso contraria o direito constitucional ao trabalho.
Os taxistas, a prefeitura, as empresas de ônibus e a maioria dos vereadores sustentam ferrenha oposição ao mototáxi. A presidente da associação dos taxistas, Nanci Camargo, diz que as motos ‘‘são proibidas e por isso a prefeitura precisa agir’’, e que a ‘‘tarifa comunitária’’ será mantida até que isso ocorra. Segundo ela, o serviço de táxi perdeu 80% do movimento, após o surgimento das motos, há pouco mais de dois anos. ‘‘A maioria dos carros fica parada o dia todo’’, afirmou.

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