Protesto silencioso marca formatura de Medicina
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Estava mais para cortejo fúnebre do que para cerimônia de formatura. Os formandos de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - que colaram grau na sexta-feira à noite - e seus familiares fizeram questão de demonstrar, ainda que de forma silenciosa, o repúdio à decisão da reitoria da instituição, que vetou a participação de 14 estudantes envolvidos na polêmica comemoração de conclusão de curso no Hospital Universitário.
Esses estudantes recorreram à Justiça para receber os diplomas junto com os demais. Porém, no final da tarde de sexta-feira, o juiz substituto da 5 Vara Cível de Londrina, Mário Nini Azzolini, anunciou que não havia apreciado o pedido de liminar no mandado de segurança impetrado pelo advogado que os representa.
Com a notícia do fracasso na via judicial, os 80 estudantes que puderam receber os diplomas chegaram ao Centro de Educação Física (Cefe) da universidade, onde assistiram a uma palestra sobre ética antes da cerimônia de colação de grau, vestidos de preto e em silêncio. Os familiares aderiram à vestimenta e também evitaram a imprensa. Informalmente, admitiram que havia um pacto entre todos os formandos para não falar com os jornalistas.
O clima ficou tenso no momento em que os formandos se dirigiam à sala na qual foi realizada a palestra. Alguns chegaram a dizer que processariam fotógrafos e cinegrafistas caso fosse divulgada a imagem deles. A coordenadora do colegiado do curso de Medicina da UEL, Evelin Muraguchi, reforçou o ''aviso'' aos jornalistas de que processos poderiam ser abertos. ''Este momento é só deles, não é de vocês. Por favor, saiam'', bradou.
Falar sobre ética aos alunos momentos antes da formatura foi uma iniciativa do colegiado do curso. O palestrante foi o médico Luiz Fernando Rodrigues, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Ele explicou que procurou ''dar informações básicas e técnicas sobre ética aos estudantes''. Questionado se achava que, mesmo praticamente formados, eles ainda precisavam aprender sobre ética, Rodrigues respondeu que sim.
Terminada a palestra, os formandos se dirigiram ao ginásio do Cefe para a cerimônia de colação de grau, ainda em clima de silêncio. O único pronunciamento por parte dos estudantes ficou a cargo da oradora da turma, Lívia Mendes Simões Coelho, que dispensou o discurso. ''Com grande pesar e tristeza por conta da ausência de 14 de nossos amigos, decidimos que não há motivos para discursos ou comemorações'', justificou. Após o pronunciamento de Lívia, um longo e único momento de calorosos aplausos.
Após a cerimônia, as comemorações continuaram tímidas. Nas rodas de conversa, o que mais se ouvia eram comentários sobre a tristeza que marcou um momento que devia ser de extrema felicidade.


