Protesto reúne quatro mil pessoas
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O assassinato do motorista de ônibus Ricardo Germano Hopaloski, 40 anos, durante assalto, ontem de manhã, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, motivou um protesto que bloqueou a BR-116 por quase sete horas. A manifestação envolveu quatro mil pessoas, entre motoristas, cobradores e moradores, que invadiram a rodovia e queimaram pneus, provocando um longo congestionamento. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a fila de veículos, nos dois sentidos, chegou a dez quilômetros.
O primeiro piquete iniciou às 7h45, no KM 126,5, em frente ao Terminal Rodoviário Metropolitano, de acordo com a PRF, mas quando os manifestantes foram informados que os carros estavam fugindo do bloqueio, resolveram invadir a pista num segundo ponto, ao lado da ponte do Rio Iguaçu, no KM 124. ''Conseguimos desfazer o segundo piquete por volta das 11 horas. Foi chamado o Corpo de Bombeiros para limpar a pista e os motoristas foram orientados a desviar por dentro da cidade. A fila de carros andou devagar e colaborou para não piorar o caos geral'', relatou o policial Rudnei Lang.
O policial informou que, apesar da revolta da população, não houve confronto. ''Eles se recusavam a desocupar a pista antes que o Estado desse garantia de segurança aos moradores. Eles chegaram num acordo'', explicou Lang, dizendo que o protesto terminou às 14h35. Durante o bloqueio da rodovia, a Urbanização de Curitiba S/A suspendeu três linhas metropolitanas que ligam Curitiba ao município, das 10h até às 15h - por dia, estas linhas transportam 17 mil pessoas.
O 1º secretário do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindmoc), João Carlos da Rosa, disse que o acerto com o governo do Estado foi a garantia de que o efetivo da Polícia Militar de Fazenda Rio Grande seria duplicado ou triplicado e que policiais seriam colocados dentro dos ônibus. Uma reunião com o governador Roberto Requião, no Palácio Iguaçu, teria sido agendada para hoje, às 9h.
Ele acrescentou que em torno de dez assaltos, por dia, são registrados nos ônibus da empresa Leblon, que faz todas as linhas do transporte municipal. ''Prevemos que isso iria acontecer, porque, na terça-feira a tarde, um motorista foi assaltado com um revólver na cabeça e só não foi morto porque a arma falhou. A população está revoltada'', contou Rosa.
Latrocínio - Ontem à tarde, a polícia prendeu Carlos Henrique Vieira Rocha, 37, acusado de assassinar o motorista. Segundo a polícia, ele é usuário de drogas e estaria sob o efeito de entorpecentes no momento do assalto. O latrocínio aconteceu às 5h30, quando o motorista foi abordado por um homem encapuzado que entrou no ônibus atirando. A bala atingiu a virilha de Hopaloski, que foi socorrido mas morreu antes de chegar ao hospital. Durante o assalto também estavam no ônibus o cobrador e duas mulheres. O homem levou R$ 27,00. O motorista era casado e pai de duas crianças.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.


