Marcos NegriniMobilizadosOs cerca de 500 professores reunidos ontem em Maringá participaram de uma passeata de protestoO presidente da APP/Sindicato dos Professores do Paraná, Romeu Gomes de Miranda, protestou ontem em Maringá contra a falta de investimentos do governo estadual na educação. ‘‘Os R$ 40 milhões gastos com os Jogos Mundiais da Natureza poderiam ser aplicados na criação da hora-atividade’’, disse. A hora-atividade é uma das principais reivindicações da categoria.
Os núcleos da APP/Sindicato da região de Maringá promoveram passeata com a participação de cerca de 500 professores. Os manifestantes saíram da Praça Souza Naves, no bairro Vila Operário, e caminharam dois quilômetros pela avenida Brasil até a Praça Raposo Tavares, no centro da cidade. Vários populares aderiram à manifestação, que também teve carreata e proteção de motociclistas da Polícia Militar.
O professor Miranda pediu ao governador Jaime Lerner, a quem se refere como ‘‘um homem de visão e com bom-senso’’, que mantenha o emprego de 2.100 professores e 1.500 funcionários contratados pela lei 10.219/88. ‘‘Eles estão ameaçados de demissão porque não fizeram concurso, mas foram contratados por ordem do Palácio Iguaçu e com base numa lei federal’’, argumentou.
Segundo o presidente do sindicato, o professor de escola pública do Paraná só tem um destino: ‘‘Morrer ou morrer. O Estado pega 2% dos nossos salários mas não os repassa ao IPE (Instituto de Previdência do Estado) e nós ficamos sem atendimento médico. Agora dá para entender por que o Rafael Greca, quando prefeito de Curitiba, ampliou o número de sepulturas do cemitério municipal. É para colocar os professores lá dentro’’.
O professor disse ainda que se o contribuinte quer uma escola pública de qualidade, ‘‘que abra o olho, pois dentro de muito pouco tempo só quem tem dinheiro poderá estudar’’. Miranda lembrou que uma professora primária recebe hoje salário menor do que um engraxate da Boca Maldita de Curitiba: ‘‘A professora ganha R$ 253,00 por mês. Em duas horas de trabalho, o engraxate tira R$ 15,00. O professor, com o mesmo tempo de trabalho, tira R$ 6,00’’.
Miranda ironizou a lei federal que ameaça com intervenção o Estado ou município que permitir o trabalho escravo: ‘‘Já deveriam ter intervido no Paraná há muito tempo. Todos os nossos professores são escravos do governo. Trabalhamos em casa, de graça, elaborando e corrigindo provas, preparando aulas. Isto sim é trabalho escravo’’.
O dirigente sindical anunciou ainda que os professores acompanharão o governador Jaime Lerner em todas as festas e inaugurações das quais ele participar, com realizações de passeatas e protestos: ‘‘Para que ele não se esqueça de suas promessas de campanha’’.

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