RepresáliaManifestantes se concentraram na cabeceira da Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina, e impediram que os argentinos que fazem transporte de mercadorias saíssem do BrasilCerca de 50 ‘‘bicicleteiros’’ - função de quem atravessa a Ponte Tancredo Neves, entre Brasil e Argentina, levando mercadorias compradas em Foz do Iguaçu para o comércio de Puerto Iguazú) protestaram ontem à tarde contra a rigidez das autoridades do país vizinho. Segundo eles, os fiscais argentinos estão impedindo a entrada de brasileiros e fazendo ‘‘vistas grossas’’ aos bicicleteiros argentinos.
Os bicicleteiros fecharam o acostamento da BR-469, na cabeceira da Ponte Tancredo Neves e impediram que os argentinos que fazem o mesmo trabalho saíssem do Brasil com mercadorias. ‘‘É uma represália contra a atitude das autoridades argentinas que estão achacando os brasileiros’’, disse o coordenador do movimento, Claudio Pereira.
Segundo ele, os gendarmes (uma espécie de policiais do Exército) e fiscais aduaneiros estão limitando a atividade apenas aos argentinos. Além dessa reclamação, eles alegam que os argentinos estão humilhando os bicicleteiros brasileiros. ‘‘Há casos em que eles nos prendem e nos deixam durante todo o dia na aduana para fazer limpeza em todo o pátio e banheiros’’, acusa Pereira.
O administrador de Aduanas em Puerto Iguazú, Carlos Arribilaga, negou que haja perseguição aos bicicleteiros brasileiros e disse que ‘‘esse procedimento não é adotado por fiscais aduaneiros’’. Ele informou que a Legislação argentina permite que mercadorias destinadas ao consumo próprio podem entrar no país. ‘‘Provavelmente, os bicicleteiros argentinos fazem essa alegação e acabam entrando. Os brasileiros, nesse caso, não gozam dessa prerrogativa’’, afirma.
Em relação à prisão de bicicleteiros na aduana, Arribilaga nega que os brasileiros estejam sendo submetidos a processos de humilhação. ‘‘Penso que a gendarmeria também não está fazendo isso. Porém, não posso responder pelos atos dos gendarmes’’, disse. A Folha procurou a gendarmeria em Puerto Iguazú, mas não havia ninguém que pudesse falar sobre o assunto.
Segundo os bicileteiros, existem cerca de 150 pessoas exercendo essa atividade na fronteira. Eles compram várias mercadorias brasileiras, principalmente frango, banana, melão, abacaxi, abóbora, açucar e tomate, e entregam em supermercados de Puerto Iguazú.
Alguns produtos, segundo eles, dá lucro de até 300%. Eles afirmam que o tomate custa cerca de R$ 0,60 em Foz do Iguaçu e é vendido por R$ 3,00 o quilo em Puerto Iguazú. O pacote de açucar de cinco quilos tem uma diferença ainda maior e pode ser comprado por R$ 1,60 e vendido a R$ 5,00. Em média, cada bicileteiro faz entre oito e dez viagens por dia.

mockup