Protesto reúne 300 pessoas em Curitiba
Manifestação contou com a participação de professores, funcionários e alunos das universidades, além de representantes de entidades
Protesto reúne 300 pessoas em Curitiba
Manifestantes não foram recebidos por secretário e governo quer volta ao trabalho até 28 de janeiro
Erika Wandembruck
Equipe da Folha
Curitiba O comando de greve das três universidades estaduais que estão com as atividades paralisadas há 124 dias não atendeu ao pedido de trégua do Governo do Estado e partiu para o ataque. Ontem, 300 manifestantes, entre professores, funcionários e alunos das instituições, além de representantes de 98 entidades da sociedade civil organizada de Londrina, marcharam em protesto contra a intransigência do governo, que não estabelece índice de reajuste salarial para a categoria do centro de Curitiba até a secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, no Centro Cívico.
Na secretaria, uma comitiva formada por seis representantes das entidades pretendia entregar em mãos, ao secretário Ramiro Wahrhaftig, documento pedindo a ele que estipule uma proposta concreta de reajuste salarial. Também almejava entregar abaixo-assinado com sete mil assinaturas de pessoas que apóiam o movimento grevista. No entanto, o desejo dos manifestantes foi frustado pelo secretário, que se recusou a atender a comitiva.
Em nota oficial, Wahrhaftig explicou que o comando de greve havia assegurado que a manifestação não ocorreria caso a reunião de negociação, realizada anteontem, fosse mantida. Diante do não cumprimento do acordo, ficam paralisadas as negociações entre governo e grevistas.
A diretora-geral da secretaria, Miriam Zanine Weellnel, recebeu por respeito a comitiva e os documentos. Vou entregar ao secretário, mas a retomada das negociações está condicionada ao retorno imediato ao trabalho. Para ela, a greve tem um cunho político. Vamos entrar com uma avalanche de ações na Justiça, ameaçou. Segundo ela, desde o dia 17 de setembro, quando começou a greve, o governo já desembolsou R$ 88 milhões para o pagamento de salários. Mais de 32 mil alunos estão sendo prejudicados pela paralisação.
A greve, que é a mais longa da história do País, continua mais forte do que nunca. Não vamos nos deixar abater por conta da pressão do governo, rebateu Luiz Fernando Reis, do comando de greve da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Também estão com as atividades paralisadas as universidades de Londrina (UEL) e Maringá (UEM).
Em reunião realizada anteontem, o secretário se comprometeu a flexibilizar o orçamento de 2002 para atender a reestruturação do Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) dos quadros das instituições de ensino superior estaduais, desde que seja possível atender as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo se ampara na lei para justificar a impossibilidade de conceder aumento à categoria. Promete para 18 de fevereiro encaminhar à Assembléia Legislativa projeto de lei que estabeleça alterações nos PCCS e a correspondente dotação orçamentária. Para isso, coloca como condição o término da greve até, no máximo, 28 de janeiro.
Hoje, em assembléias, os grevistas votarão pelo término ou não do movimento. Eles vão avaliar a proposta do governo.





