Motoristas e pedestres mais atentos notaram ontem, Dia Nacional da Consciência Negra, que parte das placas que identificam a Avenida Duque de Caxias, em Londrina, receberam adesivos com o nome de Yá Mukumbi. A ação, organizada pelo Levante Popular da Juventude, foi uma forma de lembrar a luta dos negros no Brasil e, em especial, da líder religiosa e ativista pela igualdade racial Vilma dos Santos de Oliveira. Ela foi assassinada em 2013.
Uma das integrantes do Levante Popular da Juventude, Joyce Bueno, explica que a escolha da Avenida Duque de Caxias para a iniciativa se deve à relação do patrono do Exército com a morte de homens e mulheres negros. "Ele foi responsável pelo assassinato direto e indireto de dezenas de negros. Dizimou quilombos, perseguiu negros, indígenas e todos que discordavam da sociedade escravocrata que se estendeu por quase quatro séculos", disse Joyce.
O movimento popular, conforme ela, defende que os espaços públicos recebam denominações que representem a comunidade e não sejam homenagens a quem, historicamente, agiu de maneira ditatorial, caso do general Castelo Branco e do bandeirante Borba Gato. Os dois também são nome de ruas em Londrina. "Os espaços públicos são espaços para representar o povo. O que fizemos foi um ato de contestação neste sentido", observa.

Protesto ‘renomeia’ Duque de Caxias
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A representante assinala que, embora a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), tenha garantido na Justiça a derrubada do Dia da Consciência Negra como feriado, a data, para os movimentos sociais, tem um significado muito além de um dia de descanso. "É uma data que representa muita luta para nós, que somos de um país que foi o último a abolir a escravidão. É um dia de pertencimento, de reforçar cotidianamente nossas lutas", sustentou Joyce.
Pela Avenida Duque de Caxias, o protesto do grupo dividiu opiniões. "Acho válido o que fizeram. É preciso chamar atenção, de alguma forma, para os negros na sociedade", avaliou o porteiro Edinei Cassiano, de 54 anos. O aposentado José Cândido Rosa, de 65, concordou. "As ruas deveriam mesmo representar a comunidade", declarou. Já o administrador de obras Marcos Noel dos Reis, de 51 anos, entendeu a ação de uma forma diferente. "As pessoas podem se manifestar, mas não a ponto de mudar o nome de uma rua dessa maneira", analisou.
Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a iniciativa do Levante Popular da Juventude fere o Código de Posturas do Município. A assessoria de imprensa do órgão informou que a CMTU entraria em contato com o grupo para que os adesivos fossem retirados.

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