Protesto quer parar Rua Benjamin
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O turbilhão de vendedores, consumidores, carros, caminhões de entrega e ônibus que fazem da Benjamin Constant uma das ruas mais movimentadas de Londrina deve parar, hoje, por pelo menos uma hora. Às 9 da manhã, comerciantes pretendem fechar a via no trecho entre a Rua Paraíba e o Terminal Central, em protesto contra a violência. As lojas devem abrir às 8 horas e fechar logo em seguida.
O ato é motivado pela frequência com que assaltos têm acontecido na Benjamin, à luz do dia. Comerciantes e Polícia Militar (PM) não souberam informar o número de ocorrências registrados no local, mas os relatos dão conta de que ''ninguém escapa''. ''Não tem um lojista que não tenha sido assaltado nos últimos tempos. Direto você vê pessoas saírem correndo e ouve os gritos. Está muito fácil roubar nessa rua'', atestou Eduardo Humberto Coutinho Olavo, vendedor de uma loja de móveis assaltada há cerca de 30 dias e um dos responsáveis pelo protesto.
Como que para não deixar os comerciantes mentirem, um novo assalto ocorreu ontem, por volta das 11 horas, em uma loja próxima ao Terminal. Dois rapazes chegaram numa motocicleta, em cuja placa fora colado um CD para esconder a numeração. Portando um revólver, ameaçaram funcionários e clientes, seguindo direto para um balcão de telefones celulares, onde roubaram quase 30 aparelhos. De acordo com funcionários, é o segundo assalto à loja em 10 dias e o quinto do mês nas filiais da rede.
A dupla - um maior e um adolescente - foi presa na tarde de ontem. Os celulares, cujo valor total chegava a R$ 20 mil, foram recuperados. Mas a preocupação dos lojistas não foi aplacada. ''A partir de agora, teremos seguranças armados em todas as nossas lojas. Não deveríamos precisar disso, pois já pagamos vários encargos'', declarou o gerente Valdecir Paschoal.
Ele e os colegas irão engrossar o protesto de hoje e pretendem fechar a loja novamente na manifestação organizada pela Associação Comercial de Londrina (Acil). ''Vamos continuar protestando até que alguém enxergue a gente. Na época de eleição, vinha político direto aqui. Agora todos sumiram'', reclamou.
''É raro ver policial andando por aqui, e quando tem assalto geralmente chegam atrasados. Não culpamos a polícia em si, que faz o que pode. Mas o Estado, a Prefeitura, a Câmara, que estão omissos. É a nossa vida que está em risco'', apelou Eduardo.
O presidente da Acil, Rubens Augusto, atribuiu o grande número de assaltos no comércio à sensação de ''vale-tudo'' que impera na cidade. ''Aqui as coisas são muito fáceis, muito aceitas. Os bandidos vêem que pode ter camelô à vontade e pensam 'pô, lá é mole'. Queremos que haja vontade política para coibir o crime e não ficarmos com esse ar de que todo mundo pode vir a Londrina e fazer o que bem entender aqui'', asseverou.
O porta-voz da PM em Londrina, tenente Ricardo Eguedis, admitiu que roubos têm acontecido na Rua Benjamin, mas disse não ter registrado aumento. ''Temos conseguido localizar e prender os criminosos, além de fazermos ações preventivas. É impróprio atrelarmos essas condutas (assaltos) eminentemente à polícia'', afirmou.


