Protesto preocupa Santa Casa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para a Folha 
O primeiro dia de paralisação dos funcionários dos hospitais Universitário (HU), de Clínicas (HC) e Zona Norte (HZN) de Londrina não afetou ontem o atendimento de urgência e emergência na cidade. Mas o movimento já preocupa a direção da Santa Casa, que faz atendimento de pronto-socorro (PS) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estamos preocupados porque nossa capacidade de leitos está totalmente ocupada, disse Fahd Haddad, diretor-superintendente da Irmandade da Santa Casa (Iscal). Ele informou que pela manhã o atendimento foi normal.
No período da tarde foi registrado um movimento grande no PS, mas segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, isto tem sido comum nos últimos meses. O único setor onde foi registrado um movimento maior que o normal foi o da maternidade.
Com oito leitos, 15 mulheres estavam internadas ontem e três estavam em avaliação. A maternidade, de acordo com a assessoria de imprensa, costuma atender acima de seu limite, mas nunca chegou a uma lotação de 100% acima da capacidade. Mesmo assim, o hospital não considera o acréscimo um reflexo da greve.
Os Hospitais Universitário e da Zona Norte atenderam casos de urgência e emergência. A funcionária do HU, Aparecida Ramalho, da comissão de ética, comentou que a greve está sendo avaliada. Não queremos que o atendimento seja prejudicado, disse. Cerca de 12 pacientes estavam internados em macas no corredor do hospital desde a noite de anteontem.
No Hospital da Zona Norte várias pessoas aguardavam para serem atendidas no final da manhã de ontem. A paciente Flávia Luciane Panizo, de 21 anos, que estava no HZN desde às 9h30, com dor de cabeça e vômito, só foi atendida depois de quase duas horas. Apesar da reclamação da paciente pela demora no atendimento, a direção do hospital informou que esse tempo de espera é normal. Nós atendemos cerca de 300 pessoas diariamente no pronto-socorro, justificou Luis Fernando Rodrigues, diretor-clínico do HZN.
A preocupação da diretora-geral do Hospital da Zona Norte, Denise Sardinha, é que um número grande de pacientes procure o hospital devido a queda na temperatura. Sempre que o tempo esfria mais pessoas nos procuram com problemas respiratórios, explicou.


