Protesto pede recuperação de rio em Foz
Cerca de 400 estudantes e membros de entidades ambientais protestaram ontem contra o vazamento do óleo de xisto que provocou a morte de milhares peixes no Rio Carimã, em Foz do Iguaçu, na semana passada. Eles cobraram do Hotel Mabu e da Ravato Diesel Ltda a recuperação do leito, prejudicado pelo derramamento de 200 litros do produto tóxico.
Os alunos, do ensino fundamental e médio, estavam vestidos com roupas pretas como símbolo de luto pela morte da natureza. Também levaram cartazes com frases que pediam maior conscientização das empresas a fim de evitar novos desastres ecológicos, além de gritarem frases como SOS Meio Ambiente, vamos ser conscientes.
As estudantes Cláudia Gallart, 18 anos, Cristina Dutra, 16, e Keely Graciela de Oliveira, 16, consideraram o ato um alerta às empresas sobre a necessidade de zelar pelo meio ambiente. Precisamos nos mobilizar. O Paraná tem assistido a constantes desastres ecológicos. Esse descaso com a natureza faz os responsáveis queimarem a própria imagem, afirmou Cláudia.
Para a Associação de Defesa Ambiental de Foz do Iguaçu (Adeafi), organizadora do ato, o protesto tem como objetivo reivindicar a revitalização do Rio Carimã e exigir indenização aos moradores. A ONG protocolou na quinta-feira uma ação no Ministério Público Estadual exigindo investigação sobre o motivo do vazamento, informou Mário Angelo Neves, integrante da entidade.
Ontem o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divulgou ontem o valor da punição ao Hotel Mabu, que foi multado em R$ 40 mil por falta de licenciamento ambiental. O órgão ainda analisa a documentação da Ravato Diesel, fornecedora do hotel. O Ibama já havia multado cada empresa em R$ 300 mil. A multa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente foi de R$ 50 mil. O total das infrações chegou a R$ 740 mil.
O sócio-proprietário da Ravato, Alceu Ravanello, disse ter tomado as devidas providências após o vazamento, deslocando uma equipe especializada para efetuar a limpeza. O pessoal continua limpando o Rio do Carimã. Eles estão retirando o restinho (do óleo), afirmou o proprietário da distribuidora, com sede em São Mateus do Sul. A Folha tentou contato com o gerente-geral do Hotel Mabu, Rogério Filho, mas ele não retornou as ligações.
O vazamento aconteceu há uma semana, quando o xisto transbordou do reservatório porque o limite informado era diferente do solicitado pelo hotel. O óleo excedente saiu por um ralo em direção ao Rio Carimã que passa atrás do estabelecimento. Os técnicos já retiram grande parte do produto da água.





