Cerca de 600 pessoas, entre alunos, pais, funcionários e professores da rede estadual de ensino participaram ontem, pela manhã, no Calçadão de Londrina, da manifestação estadual em favor da escola pública. O protesto foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) para denunciar à população a situação de abandono em que vivem as escolas do Paraná e cobrar do governador Jaime Lerner (PFL) soluções urgentes.
Segundo o presidente interino da APP-Sindicato/Londrina, Luís Martins de Lima, a manifestação reuniu entre 30 e 40 escolas de Londrina e mais algumas da região como Cambé e Ibiporã. ‘‘Durante toda manhã, representantes das escolas se revezaram no Calçadão para apresentar atividades preparadas pelos alunos’’, disse. As atividades foram desenvolvidas em um palco montado em frente ao Banco Itaú. Cada grupo de alunos preparou alguma apresentação: música, dança e peças teatrais. Nos intervalos, os professores narraram a situação de cada escola.
Para Martins, a manifestação foi um ‘‘grande aula de cidadania’’ para os estudantes. ‘‘Estes alunos serão os responsáveis pelo futuro, estarão participando da comunidade, assumindo cargos políticos. Eles precisam ter consciência, desde já, de seus direitos e deveres’’, resumiu. Segundo ele, as escolas que não puderam participar também trabalharam o assunto em sala de aula. ‘‘Nós montamos um conteúdo especial integrado para ser apresentado dentro e fora das escolas’’.
Para a dona de casa Ana Lima da Silva, 53 anos, que acompanhava a manifestação enquanto o banco não abria, os professores têm toda razão. ‘‘A escola pública, hoje, é uma vergonha, com prédios caindo e professores malpagos e desmotivados. Será que é difícil resolver isto?’ , questionou. ‘‘O governo precisava parar de gastar dinheiro em propaganda na TV e reformar todas as escolas’’, disse Ana, que tem dois netos na escola.
A funcionária de escola, mãe de aluno e presidente de uma Associação de Pais e Mestres (APM), Terezinha de Souza Silva, disse que a situação está insustentável. ‘‘O ensino está numa grande decadência e me afeta, não só como funcionária, mas como mãe de três filhos’’, afirmou. ‘‘O sonho de ver meus filhos formados em uma faculdade está cada vez mais longe’’.
Luiz Alberto Carneiro, aposentado, acompanhava de longe, mas com interesse, a manifestação dos professores e alunos. ‘‘Acho muito justo. O povo tem mais é que reclamar mesmo. Só acho que não pode deixar evoluir para uma greve, porque aí acaba complicando a situação dos alunos’’, ponderou.
A greve, porém, não foi descartada pelo presidente da APP-Sindicato/Londrina. ‘‘A manifestação foi também uma preparatória para uma reunião que vamos ter com a Secretária de Estado da Educação, Alcyone Saliba, no dia 28, e uma assembléia estadual no dia 30. Se nada for resolvido, faremos greve por tempo indeterminado’’, afirmou.Josoé de CarvalhoConcentraçãoEm Londrina, manifestação reuniu alunos, pais, funcionários e professores de 30 a 40 escolas da regiãoTelma Elorza

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