Protesto pede conclusão de inquérito
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Telma Elorza De Londrina 
Prestaram depoimento ontem, no 6º Distrito Policial (DP) de Londrina, duas vítimas da confusão que acabou na morte de um cobrador de ônibus, em fevereiro deste ano, durante a 5ª Festa do Milho, realizada no distrito de Paiquerê (30 quilômetros a sul). O policial militar R.F., acusado de ter matado a tiros Arnaldo Alves dos Santos, 38 anos, e ter provocado ferimentos em outras três pessoas, continua em liberdade e trabalhando no 5º Batalhão da Polícia Militar.
O fato de R.F. continuar em liberdade provocou a revolta de familiares das vítimas, que fizeram um pequeno protesto ontem pela manhã no 6º DP exigindo a conclusão do inquérito e a prisão do policial. As duas vítimas que prestaram depoimento foram Valter Aparecido dos Santos, 39 anos, e Felipe Isaac Piaí, 12. Santos e Piaí estavam em uma moto, na estrada que liga Irerê a Paiquerê quando foram atingidos pelo carro que estaria sendo utilizado na fuga do policial e conduzido por A.S.P.
Santos e Piaí passaram mais de um mês internados, em estado grave, no Hospital Universitário. Queremos esse animal na cadeia. Eu vou ter que vender minha casa para pagar o tratamento de meu filho e, pior, continuo pagando o salário dele com meus impostos, já que ele é um funcionário público. Queremos justiça, disse a mãe de Felipe, Roseli Piaí, 33 anos. No acidente, Felipe sofreu fraturas múltiplas no quadril, nos fêmures e nas costelas.
A irmã de Roseli, Sueli dos Santos, 35 anos, também está revoltada com a demora da Justiça em punir o policial. Esposa de Valter, Sueli diz que o marido ficou 28 dias em coma no hospital. Ele está incapacitado, não consegue ficar de pé, dirigir e está com o raciocínio um pouco afetado, explicou. Santos, que trabalhava como motorista autônomo de caminhão, não consegue movimentar a mão direita. Ele nunca mais vai poder dirigir. Tivemos até que colocar o caminhão à venda disse a esposa.
O delegado do 6º DP, Algacir Ramos, justificou que Santos e Piaí não foram ouvidos antes porque a polícia estaria esperando que se reestabelecessem. De acordo com Ramos, ele só tomou conhecimento do inquérito policial ontem. Acabei de assumir o 6º DP, mas fiquei horrorizado ao tomar conhecimento do caso. Vou dar prioridade para ele, afirmou. Segundo o delegado, o inquérito deve estar concluído em 20 dias. A Folha ligou várias vezes ontem no 5º BPM mas não conseguiu entrevistar o major Manoel da Cruz Neto, comandante interino do batalhão.


