Prestaram depoimento ontem, no 6º Distrito Policial (DP) de Londrina, duas vítimas da confusão que acabou na morte de um cobrador de ônibus, em fevereiro deste ano, durante a 5ª Festa do Milho, realizada no distrito de Paiquerê (30 quilômetros a sul). O policial militar R.F., acusado de ter matado a tiros Arnaldo Alves dos Santos, 38 anos, e ter provocado ferimentos em outras três pessoas, continua em liberdade e trabalhando no 5º Batalhão da Polícia Militar.
O fato de R.F. continuar em liberdade provocou a revolta de familiares das vítimas, que fizeram um pequeno protesto ontem pela manhã no 6º DP exigindo a conclusão do inquérito e a prisão do policial. As duas vítimas que prestaram depoimento foram Valter Aparecido dos Santos, 39 anos, e Felipe Isaac Piaí, 12. Santos e Piaí estavam em uma moto, na estrada que liga Irerê a Paiquerê quando foram atingidos pelo carro que estaria sendo utilizado na fuga do policial e conduzido por A.S.P.
Santos e Piaí passaram mais de um mês internados, em estado grave, no Hospital Universitário. ‘‘Queremos esse animal na cadeia. Eu vou ter que vender minha casa para pagar o tratamento de meu filho e, pior, continuo pagando o salário dele com meus impostos, já que ele é um funcionário público. Queremos justiça’’, disse a mãe de Felipe, Roseli Piaí, 33 anos. No acidente, Felipe sofreu fraturas múltiplas no quadril, nos fêmures e nas costelas.
A irmã de Roseli, Sueli dos Santos, 35 anos, também está revoltada com a demora da Justiça em punir o policial. Esposa de Valter, Sueli diz que o marido ficou 28 dias em coma no hospital. ‘‘Ele está incapacitado, não consegue ficar de pé, dirigir e está com o raciocínio um pouco afetado’’, explicou. Santos, que trabalhava como motorista autônomo de caminhão, não consegue movimentar a mão direita. ‘‘Ele nunca mais vai poder dirigir. Tivemos até que colocar o caminhão à venda’’ disse a esposa.
O delegado do 6º DP, Algacir Ramos, justificou que Santos e Piaí não foram ouvidos antes porque a polícia estaria esperando que se reestabelecessem. De acordo com Ramos, ele só tomou conhecimento do inquérito policial ontem. ‘‘Acabei de assumir o 6º DP, mas fiquei horrorizado ao tomar conhecimento do caso. Vou dar prioridade para ele’’, afirmou. Segundo o delegado, o inquérito deve estar concluído em 20 dias. A Folha ligou várias vezes ontem no 5º BPM mas não conseguiu entrevistar o major Manoel da Cruz Neto, comandante interino do batalhão.

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