Maigue Gueths
De Curitiba
Agricultores e moradores dos municípios de Colombo e Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, conseguiram paralisar as obras de perfuração e interligação de dois poços do aquífero Karst, que estavam sendo executadas pela Sanepar na localidade de Boicininga, em Colombo. Os moradores prometem não deixar que nenhuma obra de bombeamento e perfuração seja feita no local, até que o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto do Meio Ambiente (Eia-Rima) estejam concluídos.
Eles entregaram uma pauta de reivindicações com sete itens à Sanepar e deram prazo até o final do dia de hoje para que a Construtora Regional Planejamento, que está realizando as obras para a Sanepar, retire os canos de interligação dos dois poços.
A comunidade de Boicininga teme que a exploração do aquífero no local traga as mesmas consequências já vividas pelos moradores da localidade de Águas Fervidas, também em Colombo. O agricultor Darci José Poli, que mora nessa região conta que, há 3 anos, desde que a Sanepar começou a explorar o aquífero, já secaram um quilômetro do leito do rio e quatro fontes naturais, houve rachaduras nos tanques de peixes e rebaixamento do solo. ‘‘O rio abastecia toda a agricultura do local e até a represa que fizemos para a irrigação já está secando’’, diz Poli, que só começou a plantar as hortaliças agora, já que ficou sem água durante a estiagem.
Os agricultores acreditam que o bombeamento da água dos poços em Boicininga pode acabar secando totalmente a cabeceira do Rio Atuba, localizada na divisa dos dois municípios. Segundo o produtor Cezar Lovato, em 1995, quando a Sanepar fez um teste e bombeou a água do aquífero, a fonte de água secou.
A Sanepar tem 13 poços em Colombo que bombeiam 360 litros de água por segundo. A empresa alega que não há outras alternativas para o abastecimento de água para Colombo, que vem tendo um crescimento populacional superior a 5% ao ano. Os dois poços, cujas obras foram paralisadas iriam agregar mais 80 litros por segundo. A Sanepar afirma, ainda, que as obras foram aprovadas em reunião da câmara técnica, composta por órgãos do governo e representantes da comunidade.
‘‘Nós queremos preservar esse tesouro que é o segundo maior aquífero da América Latina’’, diz o ambientalista João Bello, da Associação Xama. Algumas das reivindicações encaminhadas são: paralisação das obras até a conclusão dos estudos de impacto ambiental, uso das represas de Capivari e Iraí para o abastecimento de água em Colombo, reavaliação dos impactos causados até agora com respectivas soluções e indenizações.
Mais entendimento – Lauro Klas Junior, diretor de novos negócios da Sanepar, diz que a empresa vai procurar atender as reivindicações mas que, algumas, são de difícil solução. ‘‘Usar a água da represa do Capivari, por exemplo, é inviável. Suponho que em menos de 5 anos seria impossível criar um projeto técnico viável para abastecer Colombo com essa água. Além disso, nesse período a população da cidade poderia crescer até 30%, causando um colapso no abastecimento.’’
Klas criticou as pressões externas que os agricultores da região estão sofrendo, para se manifestar contrários a exploração do aquífero. ‘‘ Na câmara técnica, sempre estamos discutindo soluções para a manutenção do cronograma de obras. Falta entendimento dos agricultores para aceitar as medidas compensatórias que a Sanepar está oferecendo.’’ (Colaborou Rubens Burigo Neto)Manifestantes prometem impedir serviços de bombeamento e perfuração de poços até que seja apresentado Eia-Rima
José SuassunaPolêmicaAgricultores e moradores de Colombo e Almirante Tamandaré participaram da manifestação realizada na localidade de Boicininga. Sanepar alega que não há outras alternativas para o abastecimento de água para Colombo

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