Os policiais civis de Londrina e região fizeram ontem, por 10 horas, um protesto em frente à 10ª Subdivisão Policial (SDP). Durante todo o dia eles paralisaram as atividades para reivindicar reposição das perdas salariais, isonomia salarial, melhores condições de trabalho e o resgate da dignidade da Polícia Civil. A paralisação, definida em assembléia geral, teve 100% de adesão entre investigadores e escrivães. Distritos policiais e 10ª SDP funcionaram em regime de plantão.
Segundo o presidente interino do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Elizeu Martins, a categoria está há seis anos sem reposição de perdas salarias que já alcançam 120%. ‘‘Além disso, há desigualdades gritantes dentro da categoria, com a maioria dos investigadores recebendo entre R$ 650 e R$ 1 mil, dependendo do tempo de serviço, enquanto outros recebem mais de R$ 1,6 mil por causa de uma ação na Justiça. Queremos equiparação para todos’’, disse.
Segundo ele, a categoria não aceita a justificativa do governo de que, sob os ajustes fiscais e a Lei Camata não poderia promover reposições salariais. ‘‘Nós temos em mãos uma cópia do Diário Oficial de 29 de março deste ano, onde o governo do Estado dá 90% de gratificação sobre o salário pelo Tide (Tempo Integral por Dedicação Exclusiva) para quatro delegados’’, explicou. Para ele, se a Lei Camata não permite que as despesas com pessoal ultrapasse a 60% da receita, o governo não poderia dar esta gratificação. ‘‘Por que para os delegados, que já ganham um salário razoável, em torno dos R$ 7 mil, e para nós não?’’, questionou.
Porém, a principal reivindicação da categoria é, segundo ele, melhores condições de trabalho. ‘‘Em Londrina temos 53 investigadores quando deveríamos ter 300. Destes, 41 estão atuando fora de suas funções. Temos 15 escrivães e mais quatro que estão trabalhando sem contrato de trabalho. A situação é insustentável e é um descaso’’, afirmou. Outro problema grave que enfrentam é a falta de materias e equipamentos de trabalho. ‘‘A situação chegou a tal ponto que se eu quiser munição para minha arma, para trabalhar, tenho que ir na loja e comprar’’, disse.
Segundo Martins, a paralisação de ontem foi uma ‘‘espécie de advertência’’ para o governo do Estado e para que a ‘‘população tome conhecimento das dificuldades da categoria’’. Uma greve por tempo indeterminado, no entanto, não está descartada. ‘‘O movimento maior vai partir de Curitiba. Se não nos responderem positivamente, vamos fazer contato com a categoria na Capital e ver a decisão que vai ser tomada’’, explicou.

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