Protesto pára a travessia de ferry-boat
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de agosto de 2001
Katia Michelle<BR>De Curitiba 
A travessia de ferry-boat entre os municípios de Guaratuba e Matinhos, no Litoral do Estado, foi interrompida durante quase nove horas ontem por causa de um protesto de pescadores. Eles reivindicam a revogação da Lei 62/84, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que limita locais de pesca. Os pescadores alegam que estão sendo prejudicados com a legislação, que vale apenas para o Paraná. Os cerca de 500 manifestantes só liberaram a travessia depois que o superintendente do Ibama no Estado, Luiz Antônio Melo, se comprometeu a apresentar uma solução nos próximos dez dias.
Melo participou de uma reunião no Litoral com uma comissão que estava representando os pescadores e deve marcar para amanhã encontro com técnicos do Centro de Pesquisa da Região Sul, do Ibama, para avaliar a reivindicação. Precisamos nos amparar em um parecer técnico antes de dar um resposta, ponderou.
A manifestação foi motivada pela mais recente operação de fiscalização do Ibama em Paranaguá, na última quinta-feira, com a apreensão de cinco embarcações, 838 quilos de camarão e oito autos de infração, que somaram R$ 14,8 mil. Desde o início do ano, o Ibama já aplicou cerca de R$ 200 mil em multas por pesca em local proibido, além de apreender 20 toneladas de peixe e camarão.
Os pescadores estão revoltados. O deputado estadual Algaci Túlio (PTB), que intermediou as negociações entre os manifestantes e o Ibama, disse que as multas são inviáveis para os pescadores. A multa varia de R$ 700,00 a R$ 100 mil e alguns pescadores têm renda de cerca de dois salários mínimos, declarou.
O chefe do Ibama em Paranaguá, Lício Domit, alegou que a limitação dos locais de pesca não pretende prejudicar o pescadores e sim preservar a atividade pesqueira.


