Um grupo de estudantes fechou pelo segundo dia consecutivo o acesso dos ônibus ao Terminal Urbano para protestar contra o reajuste da tarifa. O ato provocou queixas de usuários do sistema de transporte coletivo, que tentavam voltar para casa no final da tarde. Diretores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e das empresas, com apoio da Polícia Militar, organizaram rotas alternativas para evitar congestionamentos no Centro da cidade.
Os manifestantes concentraram-se às 17 horas em frente ao Banco do Brasil do Calçadão. Mais uma vez munido de apitos e megafone, o grupo convocou a população para participar do protesto. Quarenta minutos depois, eles sentaram na saída dos coletivos na esquina da Leste-Oeste coma a São Paulo. Toda a movimentação foi acompanhada de perto pela PM.
O tenente Ricardo Eguedis, do setor de comunicação social do 5 º Batalhão da PM, informou que um esquema preventivo foi montado para ''garantir a segurança'' durante o movimento. Quarenta policiais militares foram deslocados para as proximidades do terminal. A Tropa de Choque e a cavalaria ficaram de prontidão, mas não foram acionadas. No total, 100 oficiais foram mobilizados e, inclusive, filmaram a movimentação. Também criticaram o fato de manistantes esconderem o rosto com máscaras e camisetas.
Após 15 minutos, os estudantes subiram para a saída dos coletivos na esquina da São Paulo com a Rua Benjamin Constant. A entrada foi liberada para que passageiros entrassem no terminal sem pagar. Houve bate-boca entre passageiros contra e a favor o protesto.
Quem era impedido de sair, porém, perdeu a paciência com a manifestação. Atrasado para chegar ao trabalho, o porteiro Avelino Soares, 54 anos, reclamou. ''A polícia não pode deixar quatro ou cinco dominar uma cidade inteira. Estou indo para o serviço e meu patrão não tem nada a ver com isso (o protesto)'', criticou.
O marceneiro Flávio Luiz Marques, 42 anos, disse que o protesto deveria ocorrer nas portas das empresas e não no Terminal Urbano. ''Também não acho que vai baixar o passe'', disse, acrescentando que não considera a passagem cara.
As rotas de várias linhas foram alteradas. Os passageiros foram obrigados a descer nas proximidades do terminal e completar o percurso a pé. A medida evitou congestionamentos. A auxiliar de serviços gerais Oseli Ferrari, 49 anos, foi uma das maiores prejudicadas. Ela desembarcou na Leste-Oeste e teve de pagar outra passagem para fazer a integração. ''Já perdi R$ 6,00 nesses dois dias de protesto'', contabilizou.
A estudante Soraia de Carvalho, 24 anos, uma das líderes do movimento, disse que recebeu ameaças anônimas ontem. Segundo ela, em duas ligações feitas de orelhões, uma pessoa teria dito que se o protesto se repetisse um ônibus seria incendiado. ''Decidi divulgar a ameaça porque pode ocorrer infiltração de pessoas que não fazem parte do movimento'', afirmou.

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