Protesto na Ceasa paralisa BR-116
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Guilherme Vieira 
A diretoria da Ceasa decidiu ontem suspender o trabalho do estacionamento Syspark, instalado em regime de comodato dentro da central. A decisão foi tomada depois que permissionários e funcionários dos boxes da Ceasa realizaram um protesto paralisando o trânsito na BR-116, entre as 4h30 e 7h30 de ontem. Eles não aceitam a obrigatoriedade de que todos os carros que não sejam de clientes e não carregam mercadorias paguem R$ 3,50 ao dia e R$ 30 ao mês.
Os proprietários da Syspark, o presidente do PRN, Roberto Siqueira, assessor do deputado estadual eleito Tony Garcia (PPB), e o vereador de Curitiba, Osmar Bertoldi (PPB), não quiseram se manifestar sobre o assunto. A Folha contactou os gabinetes dos dois, à tarde. Pela manhã, circulavam rumores que a decisão chegou de surpresa aos empresários, que já haviam investido para construir o estacionamento, que estava em operação há apenas um dia.
A diretoria da Ceasa cedeu aos manifestantes e no final da manhã revogou a permissão de operação do estacionamento. Para o diretor-presidente da Ceasa Osny de Oliveira, a criação do estacionamento se justifica porque os veículos de transporte de pessoas estariam tumultuando o trânsito e prejudicando o transporte de produtos.
Até mesmo a Assembléia Legislativa discutiu o assunto. O deputado estadual Carlos Simões (PTB) coletou assinaturas para um requerimento que poderá ser enviado à Secretaria da Agricultura, caso os deputados assim deliberem em plenário. Simões acusa Tony Garcia de estar gerenciando o estacionamento. Que absurdo é esse. Por que é que o governo está terceirizando estacionamento para ele? protestava. Tony Garcia disse que não é proprietário do estacionamento. E que Simões pode ter cometido um equívoco uma vez que o estacionamento é do seu coordenador de campanha Roberto Siqueira.
Ele disse ter recebido com surpresa a manifestação dos permissionários. Segundo Oliveira, em três reuniões, realizadas entre 11 de novembro do ano passado a 13 de janeiro deste ano, foi registrado em ata que os permissionários estariam de acordo com o estacionamento. Em uma delas até um acordo foi firmado com os permissionários de que cada um deles teria direito a entrar com um veículo no interior da Ceasa. Agora no início dos trabalhos eles dizem que não querem mais? pergunta.
O presidente do Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado do Paraná (Sindaruc), Pedro João Soares, disse que pagar R$ 3,50 ao dia e R$ 30 ao mês para estacionar no local seria inviável para os comerciantes. (Colaborou Leandro Donatti)


