Protesto marca primeiro dia de aula
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba O início das aulas na rede estadual de ensino foi marcado por um clima de descontentamento. Cerca de 200 professores protestaram ontem, em frente ao prédio da ParanaPrevidência, onde funciona o Núcleo de Educação de Curitiba. Eles estavam insatisfeitos com a distribuição das aulas feita pela Secretaria de Estado da Educação, que não obedeceu à ordem de classificação e pontuação dos professores, e, sim, à ordem de chegada.
Para o professor de História Rivair Dias de Almeida, que leciona na rede estadual há seis anos, foram chamados professores de baixa classificação, e, segundo eles, muitos deles acadêmicos. ''Só queremos que este critério de chamada seja revisto e que sejam chamados aqueles professores que obtiveram pontuações e classificações mais altas'', disse.
A professora Cláudia Pimenta, que leciona na rede estadual há sete anos, reclama também do não pagamento dos professores. Ela conta que foi demitida, depois de voltar de licença-maternidade, e que soube que não havia previsão de pagamento da rescisão.
A chefe do Núcleo de Educação de Curitiba, Sheila Marisa Toledo Pereira, se defende das acusações, informando que foram contratados os únicos professores que compareceram à chamada. Ela informou, ainda, que a secretaria deverá avaliar caso a caso e divulgará, nesta semana, nova chamada para redistribuição de aulas. Desta vez, garantiu, obedecendo à classificação.
O clima de insatisfação não atingiu só professores. Dos 42 prefeitos da região sudoeste do Estado, apenas três não adiaram o início das aulas por conta do impasse do transporte escolar dos alunos da rede estadual. O presidente da Associação dos Municípios do Sudoeste (Amsop), Neuri Gehlen (PSDB), disse que o problema é que os prefeitos não concordam com o repasse dos recursos por meio de um Fundo Rotativo controlado pelas Associações de Pais e Mestres (APM), proposta pelo governo do Estado. Eles querem o dinheiro diretamente nos caixas das prefeituras. Uma nova conversa com o governo do Estado está marcada para amanhã.
Algumas escolas da rede estadual também enfrentaram falta de professores, quando quase 1,7 milhão de alunos voltaram para as salas de aula. A superintendente da Secretaria de Estado da Educação, Yvelise Arcorverde, garantiu que os problemas foram pontuais em Curitiba, Londrina e Maringá, principalmente, e que estarão solucionados ainda esta semana. A secretaria conta com uma reserva técnica de professores substitutos, aprovados no Processo Seletivo Simplicado, que irá cobrir as ausências.


