Protesto lembra morte de Zanella
Protesto lembra morte de Zanella
James Alberti
Albari RosaElisabetha Zanella, queixando-se da impunidade: Estão (os acusados) andando por aí como se nada tivesse acontecido... não me conformo com issoUm protesto, às 18 horas de amanhã, vai mostrar na Boca Maldita a violência que mancha a imagem da polícia do Paraná. O Fórum Contra a Violência leva ao calçadão da Rua XV de Novembro familiares de pessoas mortas pela polícia. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para o aumento da violência. O protesto também marca o primeiro ano da morte do estudante Rafael Rodrigo Zanella, ocorrida durante uma suposta blitz policial no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba. Zanella recebeu um tiro na cabeça e teria tido pacotes de droga colocados junto ao corpo pelos próprios policiais para forjar um flagrante.
A mãe do estudante, Elisabetha Zanella, não se conforma com a impunidade dos autores da morte do filho. Apenas um dos oito envolvidos está preso: o funcionário público estadual Almiro Deni Schmidt, que apesar de não ser policial acompanhava a blitz, armado de revólver. Os policiais civis Reinaldo Siduovski, Airton Adonsk, Jorge Bressan e os delegados Maurício Bittencourt Fowler, Carlos Henrique Dias, Daniel Santiago Cortez e Francisco dos Santos estariam em liberdade, segundo ela. Estão (os acusados) andando por aí como se nada tivesse acontecido... não me conformo com isso, diz Elisabetha.
Participam também do protesto vítimas como Maria Aparecida Salkovski, que teve o filho Luciano, 20 anos, morto com um tiro nas costas em 15 de julho de 1995; e a dona de casa Jaira Maria Poli, que acusa um soldado da Polícia Militar de ter matado seu marido, o vigia José Carlos Poli, com três tiros em fevereiro de 1997. Meu marido foi covardemente assassinado. Não era um bandido e não precisavam fazer isso, diz Jaira. Ela acredita que somente quando as famílias cobrarem indenizações do Estado o abuso da violência poderá ser combatido.
O presidente do Instituto de Direitos Humanos, Adriano Gabardo, criticou a inoperância da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. A comissão não funciona, acusou. Ele disse que enviou um dossiê com informações sobre as mortes, mas que a comissão não deu nenhuma resposta.





