Cerca de 300 professores da rede estadual de ensino fizeram ontem manifestação na Boca Maldita, em Curitiba, para lembrar os 12 anos da pancadaria patrocinada pelo governo paranaense no Centro Cívico em 1988, quando um protesto dos professores foi dissolvido pela Polícia Militar – 27 professores feridos procuraram hospitais da cidade naquele dia.
‘‘Naquela época fomos às ruas por causa do descumprimento de um acordo pelo governo. Há muita semelhança entre aquele momento e o de hoje, que tem promessas atrás de promessas e o descumprimento de outro acordo com os professores’’, diz Isolde Andreata, que presidia a APP em 1988 e atualmente é diretora de Educação do sindicato.
A APP acusa o governo de não estar cumprindo o acordo assinado em junho para encerrar a greve da categoria. O acordo previa nova reunião em agosto para tratar de questões salariais, o que não ocorreu. Ficou acertado também que os avanços de carreira seriam implantados em julho, com pagamento retroativo a outubro de 1999. ‘‘Não pagaram os retroativos. Isso é quebra de acordo’’, diz a professora Élide Bueno, dirigente sindical. ‘‘Esse ato público é para denunciar isso’’, completa. Os professores reivindicam ainda a realização de concurso para novas contratações e a implantação da hora-atividade, que vai remunerar o trabalho na preparação de aulas e correção de provas, além de reposição salarial de 42%.
Ontem de manhã, representantes dos professores reuniram-se com o chefe da Casa Civil do governo estadual, Alceni Guerra, para tratar do acordo assinado em junho. Segundo o sindicato, Guerra assumiu o compromisso de cumprir o acordo. ‘‘Os retroativos podem começar a ser pagos no mês que vem e eles mantêm a disposição de realizar concurso ainda neste ano’’, informou a dirigente sindical Marlei Fernandes.
Diferentemente do que ocorreu nos anos anteriores, as manifestações dos professores para lembrar o dia de luta ficaram por conta das 23 núcleos sindicais espalhados pelo Estado. Em Arapongas (norte) houve uma assembléia à tarde para avaliar as negociações com o governo e discutir alternativas de mobilização. No dia 16 de setembro, uma assembléia, a ser realizada provavelmente em Curitiba, vai definir os rumos do movimento.

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