Protesto inclui carta gigante a Lerner
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Dorico da SilvaU de uniãoCarta gigante escrita por alunos e professores do colégio Newton Guimarães: por melhores salários e mais infra-estrutura nas escolasO governador Jaime Lerner vai receber hoje uma carta gigante de aproximadamente 50 metros, escrita por alunos e professores do Colégio Estadual Newton Guimarães, localizado na área central de Londrina. Mas, ao contrário dos artistas e atletas de renome - que frequentemente recebem este tipo de carta -, Lerner não vai ler declarações de amor: as mensagens dos londrinenses são críticas à política educacional do governo estadual.
A correspondência faz parte do protesto que a Associação dos Professores do Paraná promove hoje. Ela seria levada ontem à noite para Curitiba por representantes da APP/Sindicato.
Até a manhã de ontem, a carta tinha aproximadamente 32 metros de comprimento. Mas a diretora auxiliar da escola, Cristina Braga, calculava que ela chegaria a 50 metros, já que faltavam ainda as declarações dos alunos da tarde e dos professores. Segundo a diretora, a participação no protesto não é obrigatória. Mas grande parte dos 1.600 alunos de 1º e 2º graus encamparam a idéia, que nasceu durante um bate-papo entre alunos e professores.
A maioria das reivindicações dos estudantes diz respeito à melhoria dos salários dos professores, mais investimento na capacitação dos docentes e na infra-estrutura das escolas. Cada aluno escreveu o seu recado e todos foram colados, formando uma única correspondência. A idéia dos alunos e professores era tentar um contato direto com o governador, sensibilizando-o a respeito dos problemas da educação, explica a diretora-auxiliar.
- Governador, tome uma atitude enquanto é tempo.
- Senhor Governador, vamos se ligar no futuro do País. As crianças não precisam de esmolas. Elas precisam de cultura, educação, alimentação, moradia e segurança. Será que isto é muito? á.
- Não é somente amor à profissão que enche barriga.
- Governador, se ligue antes que o povo te desligue!.
Estas eram algumas das mensagens dos alunos do Newton Guimarães. Alessandra Lopes Westin, 16 anos, estudante do 2º colegial, cobra do governo mais ação. Eu tentei mostrar que não adianta falar que o ensino é prioridade. O governador não faz nada para melhorar, reclama. Os professores lutam com o pouco que ganham para poder dar um ensino digno para quem não pode pagar uma escola particular.
Na opinião da garota, Jaime Lerner já provou que tem capacidade, fazendo de Curitiba uma cidade com grande qualidade de vida. Agora a gente quer que ele use esta capacidade para melhorar o ensino público.
Quatro alunos da 7ª série do colégio estavam preparando ontem pela manhã uma mensagem para o governador. Heloísa Perusso Oliveira, 13 anos, Thiago Ramos da Silva, 12, e Willian Marchesi, 13, pretendiam reivindicar melhores salários aos professores. Miriam Tieko Nunes Tsuchiya, 13 anos, também da 7ª série, acredita que, com melhores salários, os professores teriam mais iniciativa e criatividade nas aulas.
A professora Cristina Braga, de Biologia, também fez questão de mandar um recado. Ela cobrou os pagamentos atrasados do Projeto Vale Saber, um programa do Estado que visa incentivar o aprimoramento dos professores e a melhoria das aulas.
O diretor-geral da escola, Luis Vargas Prudencio, gostou da iniciativa dos alunos e professores. Acho uma boa idéia ligar o aluno nos problemas políticos para que ele não fique alienado.
Cristina Braga acredita que a realidade da escola Newton Guimarães seja melhor do que de outras escolas públicas da Cidade, devido à participação ativa da Associação de Pais e Mestres (APM). Segundo ela, graças à iniciativa da comunidade, a escola é capaz de promover várias ações isoladas de qualidade. Entre elas, a diretora-auxiliar cita a ampliação do material didático (televisões, videocassete), complementação do quadro de recursos humanos, entre outras coisas.
A sociedade civil tem uma responsabilidade grande na mudança do País. Mas são as ações governamentais no sentido de investir pesado no ensino que promoverão as grandes mudanças, acredita Cristina.


