Protesto frustra avicultores
Famílias de avicultores que desocuparam anteontem os escritórios do frigorífico de Cascavel da empresa Chapecó, onde acamparam durante quatro meses, estavam revoltadas com o desfecho do protesto. Homens e mulheres choravam ao ser obrigados a se expor à forte chuva, sem ter onde se abrigar e sem meios de voltar para suas casas em outros municípios da região.
Na noite anterior, os produtores de frango haviam começado a deixar os escritórios, ante a ameaça de despejo pela Polícia Militar que cumpria ordem judicial de reintegração de posse obtida pela empresa. Eles queriam se instalar em barracos na área externa da indústria, o que ocorreria na manhã de ontem. A chuva impediu a montagem dos barracos e a polícia desocupou o prédio.
A Chapecó, com sede em Santa Catarina, está em concordata. Há dois anos, interrompeu o abate em seu frigorífico de Cascavel, desativando aviários de cerca de 450 produtores. Os aviários foram construídos com financiamentos que não foram saldados porque não havia para quem entregar a produção. Os avicultores estão endividados e sem fonte de renda, disse José Lino Bergamin, presidente da Avios, a associação dos avicultores.
Bergamin acusa a empresa de ter exigido a implantação de modernos aviários para comprometer-se a adquirir a produção pouco antes de quebrar, o que certamente a direção já sabia que aconteceria. As famílias já realizaram várias formas de protesto para pressionar pela reativação ou venda da indústria. Elas chegaram até mesmo à greve de fome. Mas de nada adiantou, avaliou José Lino Bergamin.Edson MazzettoChuva impediu que famílias dos avicultores montassem barracos e a polícia desocupou o prédioPaulo Pegoraro





