Três ruas do bairro Boqueirão, em Curitiba, foram bloqueadas por moradores no final da tarde de ontem. Cerca de 250 pessoas, segundo a Polícia Militar, protestaram durante duas horas contra os acidentes causados pela falta de sinalização. As ruas Brasil para Cristo, William Boot e Bley Zorning já foram palco de quatro mortes em menos de um ano.
No domingo passado, Márcio Roberto Correia de Paula, 16 anos, foi atropelado na rua Bley Zorning por um motorista que fugiu. Márcio está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cajuru. Na tarde de quarta-feira um homem que andava de bicicleta também
teria sido atropelado. Os dois casos deixaram toda a comunidade revoltada. As reivindicações para colocação de lombadas eletrônicas e semáforos já duram três anos.
Os manifestantes utilizaram pneus para interromper o trânsito. Desconhecidos atearam fogo em alguns deles, a PM ameaçou acionar o Batalhão de Choque para dispersar a multidão, mas, depois de negociações entre policiais e os líderes do protesto, as ruas foram liberadas por volta das 19 horas. O gerente de engenharia de trânsito da Diretran, Paulo Roberto Malucelli, prometeu para hoje uma inspeção para fazer um estudo das reivindicações dos moradores.
Afirmando estar cansado de negociar com a Regional do Boqueirão, o comerciante Reinaldo Guercheski, 49 anos, antecipou que, se a solução não chegar num prazo de 10 dias, as ruas voltarão a ser fechadas. Reinaldo é pai da estudante Fabíola, de 15 anos, morta há nove meses, quando um caminhoneiro, que estava embriagado, perdeu a direção de seu veículo, invadiu a residência do comerciante e matou a garota dentro de casa.
‘‘O pessoa da Regional só promete e não resolve nada’’, desabafou Reinaldo. A estudante Michelle Correia de Paula, 20 anos, irmã de Márcio, que foi atropelado no domingo, classsificou a região como ‘‘o corredor da morte’’. Em solidariedade à família de Márcio, vizinhos e parentes formaram um círculo durante o protesto na rua Bley Zorning para orar pela sua recuperação.
Além da falta de sinalização, os moradores reclamam que as ruas do bairro se transformam na madrugada em verdadeiras pistas de corrida. ‘‘É só cair a madrugada que os rachas começam a acontecer por aqui’’, afirma o vigia Algacir Rodrigues, 29 anos. Na região que compreende as três ruas que os moradores denunciam não dispor de sinalização estão localizadas duas escolas e duas creches.

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