Um protesto de moradores parou o trânsito da PR-538, entre os distritos de Guaravera e São Luiz, na região de Londrina. Cerca de 30 pessoas, todas da Vila Rural das Orquídeas, impediram a passagem de veículos na altura do quilômetro 27, a partir das cinco horas da manhã de ontem. Os moradores pleiteiam a construção de acostamentos nos dois sentidos da estrada, para dar segurança a quem precisa seguir a pé ou de bicicleta pela pista no trecho, pelo menos entre a vila rural e o centro de Guaravera.
''Ontem nós enterramos um menino de 11 anos, que morreu atropelado quando andava de bicicleta com outras três crianças. Com essa, já são quatro mortes só este ano. Isso sem contar os inúmeros acidentes'', relatou Rosinéia Ribeiro Duarte Lacerda, uma das organizadoras da manifestação. Ela calcula que pelo menos 20 pedestres e ciclistas já tenham morrido no trecho entre a ponte do rio Taquara e Guaravera.
Segundo a moradora, a população local já encaminhou vários pedidos e abaixo-assinados (quatro só este ano) ao Departamento de Estradas e Rodagem e à Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, mas nunca obtiveram resposta. Os moradores argumentam que o trecho é bastante usado tanto por gente que precisa se dirigir até o centro de Guaravera, em um percurso de quase dois quilômetros, quanto por moradores do distrito, que fazem caminhadas na rodovia. Rosinéia também reclamou dos ''rachas'' de carros e motos realizados pelos próprios moradores de Guaravera nas tardes de domingo. ''Domingo à tarde ninguém passa aqui a pé'', contou. A vila tem 53 casas e, segundo os moradores, entre 200 e 300 crianças.
''Eu já fui atropelado duas vezes, na última vez por uma viatura da polícia. Estou há quase 70 dias parado, e, por consequência disso, sem dinheiro para sustentar a família'', revelou o bóia-fria Darci do Prado, 50 anos. ''A gente é pobre, só vai pela pista porque não tem outro jeito. Tem vez em que o carro vem pra cima da gente e é preciso se jogar no mato. Às vezes não dá tempo'', lamenta.
Os manifestantes deram um prazo de dez dias para obter alguma resposta oficial. ''Se nesse prazo ninguém fizer nada, nós vamos fechar o trevo de Guaravera e este trecho, novamente, e queimar vários pneus na pista'', ameaçaram. A intenção inicial era permanecer no local até que o fiscal da prefeitura em Guaravera (o distrito está sem sub-prefeito), algum responsável do DER ou representante da prefeitura se dirigisse até o local. Porém, por volta do meio-dia a rodovia foi liberada. ''Um tenente da polícia militar nos convenceu a encerrar a manifestação. Nós vamos nos reunir com ele amanhã (hoje) e criar uma comissão para ir ao DER na semana que vem'', informou a agricultora Elza de Souza.
A reportagem tentou entrar em contato com o superitendente do DER em Londrina, Wilson Luiz Bazzo, mas foi informada de que tanto Bazzo quanto o engenheiro responsável pela região estão viajando e só retornam na próxima semana.

mockup