Lucilia Okamura
De Londrina
Moradores do Conjunto Cafezal 2 (zona sul) e de chácaras da região bloquearam, ontem à tarde, durante algumas horas uma estrada rural localizada na zona sul de Londrina. Eles reclamam da poeira e da lama e reivindicam da prefeitura a pavimentação asfáltica da via, de cerca de seis quilômetros de extensão.
A estrada é uma continuação da Rua Geraldo Júlio. Segundo o analista de sistema Rivail Andrade, antigamente, a estrada ligava a cidade ao Patrimônio São Luis. ‘‘Depois, abriram outra estrada e essa aqui ficou abandonada’’, afirmou. Morador de uma chácara há 12 anos, ele disse que, como trabalha no perímetro urbano, passa quatro vezes por dia na estrada. ‘‘É difícil aguentar a poeira e o barro’’, disse.
Andrade questionou o fato de a prefeitura realizar a pavimentação de ruas em vários bairros e deixar de lado a área rural. Segundo ele, alguns conjuntos habitacionais são menos habitados do que a localidade onde reside.
O funcionário público Wilson Ramos mora há 18 anos no Cafezal e reclama que com o tempo seco, a situação ficou ainda mais difícil. ‘‘Muitas crianças estão com bronquite’’, afirmou.
O bloqueio reuniu cerca de 10 veículos ontem e, segundo Andrade, foi realizado porque a situação chegou a um ponto quase que insustentável. Ele disse que, à medida que os carros iam chegando, eram parados. ‘‘Mas ninguém reclamou’’, afirmou o dentista Milton Izutami, que também mora em uma chácara nas proximidades. Eles chegaram a atear fogo em alguns pneus, mas não houve confusão.
O dentista explicou que esta é o segundo protesto que os moradores realizam. ‘‘Da outra vez, jogaram umas pedras, mas o problema não foi resolvido’’, afirmou.
O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, disse ontem que a prefeitura não tem recursos para executar a pavimentação daquela via. Segundo ele, a preocupação do município é em atender os bairros, principalmente os mais populosos.
O secretário calcula que a pavimentação da estrada custaria cerca de R$ 1 milhão. ‘‘Com esse dinheiro, eu poderia atender quatro bairros’’, ressaltou. ‘‘Temos 940 quilômetros de estradas rurais e não dá para asfaltar tudo. Estamos fazendo moledamento nos pontos críticos’’, acrescentou.
A saída para resolver o problema das estradas rurias, segundo Righi de Oliveira, é recorrer ao Governo do Estado, que possui projetos específicos para esta finalidade. Um deles é o ‘‘Caminhos da Produção e da Educação’’, que contemplou a pavimentação de quatro estradas na região de Londrina.

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