Protesto fecha estrada por sete horas
Moradores de Campo Magro fecharam ontem por sete horas a Estrada do Cerne, no quilômetro 13,5, na altura do Jardim da Água Boa, para protestar contra as mortes causadas por atropelamentos na região. Segundo o pai da última vítima, Antônio Deodato do Nascimento, 33 anos, em quatro anos, pelo menos seis pessoas morreram atropeladas no local.
Os manifestantes impediram o tráfego na rodovia das 5 horas às 12 horas de ontem. Os moradores liberaram a pista com a condição de o governo econtrar uma solução para a segurança dos pedestres que passam pela estrada diariamente. O uso de faixas e pneus queimados serviu para pedir a construção de acostamento nos dez quilômetros da estrada que passam pelo município e lombadas para impedir que os motoristas andem em alta velocidade, o que ajudaria a evitar acidentes. Nos últimos quatro anos, esta foi a terceira manifestação organizada pelos moradores, que reclamam que nada foi resolvido.
Na manhã de ontem, o prefeito de Campo Magro, Louvanir Menegusso, disse que conversaria com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury, para reforçar o pedido da construção do acostamento, que vem sendo feito por ele há dois anos. O diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Paulinho Dalmaz, afirmou que técnicos estudam soluções para melhorar a rodovia, mas ainda não há nada decidido. Também não existe previsão para o início das obras, por problemas financeiros. Mesmo assim, o DER já se dispôs a se reunir com os moradores para discutir possíveis mudanças no acesso a Campo Magro.
Mortes - No dia 8 de março, Antônio Deodato do Nascimento Júnior, 7 anos, voltava da missa com a avó e a irmã, às 21h15. Júnior foi atropelado por um caminhão que andava em alta velocidade. Dizem até que ele estava bêbado, contou o pai da criança.
Segundo Antônio do Nascimento, uma testemunha disse que o caminhão ia bater em outro e, na hora de desviar do veículo, atingiu Júnior no acostamento. O menino morreu e a avó teve ferimentos. Com a irmã de Júnior, nada aconteceu.
O pai disse que sabe quem foi o culpado do atropelamento de Júnior e que o motorista mora na região. Ele tirou uma vida. Não matou um animal, matou uma pessoa, disse. Espero que a polícia o encontre e que ele pague pelo que fez.
A empregada doméstica Santina Antunes de Azevedo, 38 anos, perdeu o marido Jamil há quatro anos. Jamil, que tinha 42 anos, voltava do trabalho de bicicleta, por volta das 19 horas, quando foi atropelado. Até hoje, ninguém sabe quem foi o culpado. Eles matam, fogem e deixam os corpos jogados, afirmou. Já pedimos acostamento, mas nunca adiantou. Parece que o ser humano não tem valor.





