Protesto fecha agências do HSBC
Especial para a Folha
As duas maiores agências do HSBC em Curitiba ficaram fechadas ontem em consequência de um protesto do Sindicato dos Bancários contra o corte de benefícios dos funcionários e fechamento de locais de trabalho do banco. A agência do Palácio Avenida, no calçadão da Rua XV não abriu as portas e a da Avenida Marechal Deodoro, também no centro, foi fechada meia hora depois de aberta. Perto de 680 funcionários da empresa não trabalharam ontem. Eles escolheram o dia de véspera do depoimento do ex-presidente do Bamerindus, José Eduardo Vieira, na CPI dos bancos, para criar um fato político e fortalecer o movimento.
Instalados em frente ao Palácio Avenida, os líderes do movimento impediram a entrada dos diretores da empresa e conseguiram a adesão dos bancários para não abrir a agência. Na Marechal, os bancários permaneceram dentro do prédio, mas não atenderam os clientes. Os usuários do banco receberam uma carta que explicava os motivos do protesto, realizado nacionalmente.
O resultado foi uma reunião, marcada para o dia 15 às 9 horas, entre representantes dos bancários e a diretoria de Recursos Humanos do HSBC. Por volta das 14 horas, um advogado do banco ameaçou usar a força policial para dissipar o movimento. A polícia chegou a ir ao local das manifestações, em companhia de um oficial de Justiça, mas retirou-se pouco tempo depois. Os protestos encerraram-se às 16 horas, conforme o previsto.
Os bancários reclamam do fechamento de 524 agências e postos de serviço em todo o Brasil, sendo 30 no Paraná, e da demissão de 3.382 bancários, desde que o HSBC comprou o Bamerindus, há dois anos. Eles protestam também pelo corte da bolsa educação, que era cedida a dois mil funcionários para ajudar em mensalidades de faculdade, e pela exigência da compra de uniformes. Eles estão pressionando para que os funcionários comprem o uniforme e isso é um desrespeito ao acordo coletivo da categoria, que diz que o banco deve pagar a roupa exigida, explica Adilson Stuzata, coordenador da Comissão de Funcionários do HSBC.
A Diretora de Recursos Humanos do HSBC, Maria Helena Monteiro, diz que a operação de compra foi auxiliada pelo Banco Central e que não houve nada ilegal. Segundo Maria Helena, o banco não está exigindo a compra de uniformes e sim conseguiu uma redução de preços na compra de roupas executivas, em uma rede de lojas, e repassou a notícia para os funcionários. A bolsa estudo foi trocada pelo crédito educativo e também aumentamos o número de treinamentos de trabalho, explica a diretora. Quanto ao fechamento de agências e demissões, a direção do banco responde que as modificações foram feitas na época da compra da empresa e desde 1997 nehuma agência foi fechada.
Stuzatta rebate dizendo que o crédito educativo prevê, após a conclusão do curso, o pagamento dos valores concedidos. Além disso, o funcionário que for demitido ou pedir demissão deverá pagar os empréstimos imediatamente, enquanto a bolsa educação era um subsídio oferecido pela empresa, sem necessidade de ressarcimento posterior. No caso dos uniformes, a questão é de nomenclatura.





