Protesto fecha agência de rendas
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terça-feira, 24 de março de 1998
Marcos Zanatta 
Marcos NegriniO delegado da Receita, Abel OlivoCerca de 200 funcionários do Frigorífico Continental impediram ontem a abertura da agência de rendas de Paranavaí, em protesto contra o impasse gerado na negociação do recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) referente ao mês de fevereiro passado.
Os funcionários ocuparam área em frente da agência pouco antes das 9 horas e comunicaram a intenção de entrar no prédio. Como o escritório ficou fechado, funcionando apenas com expediente interno, os trabalhadores decidiram permanecer em frente da agência.
Uma comissão de funcionários enviou nota à Folha informando que tem o apoio do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Maringá.
Na nota a comissão alega que o impasse foi criado pela regional de Maringá da Secretaria de Fazenda e que o problema está impedindo o abate e processamento de animais, pondo em risco os 350 empregos gerados pela empresa.
A direção do frigorífico também distribuiu nota, alegando que a empresa está sendo prejudicada, por aspectos técnicos e interpretação jurídica questionável por parte da Secretaria de Fazenda, Regional de Maringá, na produção normal de carnes para o mercado interno e exportação.
O delegado da Receita Estadual em Maringá, Abel Olivo, disse à Folha que o problema do Frigorífico Continental é financeiro e não fiscal.
Ele revela que por um acordo entre o fisco e as empresas do setor, o ICMS sobre o animal comercializado para o abate e a carne deve ser recolhido até o dia 5 de cada mês.
Mas as empresas do setor apresentaram dificuldades e desde o ano passado o Estado adotou um regime especial para o recolhimento dos tributos. Como o Frigorífico Continental não cumpriu o prazo determinado, pode perder o regime especial, fato que revoltou os diretores, explica Olivo.
Segundo ele, houve tentativa de negociar os débitos do frigorífico, mas os representantes da empresa não aceitaram nenhuma proposta. A carga tributária é igual para todos e os demais estão pagando à vista, enquanto eles (o Frigorífico Continental) não aceitam o parcelamento da dívida em seis meses como propomos, lembra. Olivo alega ainda que o frigorífico está usando os funcionários para fazer pressão.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Maringá, Vivail Assunção da Silveira, garante que a entidade não está dando nenhum apoio ao Frigorífico Continental. A empresa não paga os funcionários, tem mais de 180 processos trabalhistas e não recolhe os encargos, afirma.
Ele diz ainda que os proprietários do frigorífico são pecuaristas da região, que estão manobrando os empregados.


