Alunos, professores, funcionários e membros Associação de Pais e Mestres e do Conselho Escolar da Escola Estadual Professora Maria Cintra de Alcântara em Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina) fizeram manifestações ontem, pela manhã, nas ruas da cidade. O protesto teve o objetivo de tentar sensibilizar a comunidade e a opinião pública sobre os problemas que a escola vem enfrentando há cerca de três anos, desde que se tornou o único estabelecimento estadual de ensino fundamental e médio, após a emancipação do município.
Segundo a representante dos professores no Conselho Escolar, Martinha Clarete Dutra dos Santos, a instituição está funcionando em situação precária. ‘‘Em 25 anos de existência, a escola nunca passou por uma reforma e hoje enfrenta superlotação, sérios problemas estruturais e de cunho pedagógico, com a falta de profissionais e equipamentos’’, afirma.
Mario CesarPrecariedadeEstudante estuda no chão: escola está superlotada e não tem carteirasMartinha dos Santos diz que os problemas estruturais começam na instalação elétrica. ‘‘A fiação é velha e cheia de ‘gambiarra’. Os curto-circuitos são frequentes e há o risco de incêndios, sem contar que a má luminosidade prejudica a visão de nossos alunos’’, aponta. As instalações hidráulicas também não estão em melhor estado, segundo ela. ‘‘Os banheiros não têm condições de uso. Todos os encanamentos estão entupidos e não adianta chamar o encanador. Cada vez que ele vem aqui, cerca de 20 minutos depois do serviço, já está tudo entupido de novo’’, conta.
Os vazamentos também são constantes. De acordo com Martinha dos Santos, a Sanepar já fez uma vistoria e detectou um vazamento de cerca de 40 mil litros de água por dia. ‘‘O problema é que a causa e o local do vazamento não foram identificadas’’, diz.
A superlotação é outro velho problema. ‘‘Nossas salas têm, em média, 45 alunos quando a proposta do Governo é que cada sala atenda, no máximo, 35. Além disso, faltam carteiras’’, afirma a representante dos professores. Segundo Martinha dos Santos, a escola atende hoje 1.650 alunos, em três turnos. ‘‘Este ano, tivemos que recusar matrículas porque não iríamos ter onde colocar mais alunos. Uma parte deles está assistindo aulas num barracão velho, ao lado da escola’’, aponta.
Na área pedagógica, os problemas começam pela falta de equipamentos. ‘‘Nós estamos sem laboratório de ciências, que é uma exigência para o reconhecimento do ensino médio’’, explica. Mas o problema mais sério é, segundo ela, a falta de dois profissionais: o orientador pedagógico - ‘‘uma escola de nosso porte precisa, no mínimo, de 60 horas semanais de orientação’’ - e um coordenador pedagógico. ‘‘Se o aluno conseguir um professor experiente, competente, sorte dele. Se, ao contrário, pegar um professor inexperiente, fica por isso mesmo. Nossos professores estão trabalhando sem nenhum acompanhamento. Isto compromete a qualidade do ensino’’, lamenta.
Além de tudo isto, Martinha dos Santos diz que a verba do Fundo Rotativo - única fonte de renda das escolas estaduais repassada pelo Governo Estadual, para compra de materiais de limpeza e outros - não está sendo suficiente. ‘‘Antes de Tamarana se separar de Londrina, nossa escola era só de 2º grau e atendíamos 400 alunos. A verba, na época, era de R$ 400, e vinha em dia. Hoje, atendemos mais que o triplo de estudantes e recebemos apenas R$ 700, que são repassados com atraso, às vezes de quatro em quatro meses’’, afirma.
Segundo a professora, a falta de dinheiro está prejudicando, inclusive, a limpeza da escola, que está sendo feita precariamente por falta de material e também de pessoal. Martinha diz que, para comprar os materiais mais urgentes, a escola faz promoção com os alunos. ‘‘Mas não podemos ficar nesta situação. A maioria de nossos alunos é carente’’, diz.
Martinha dos Santos explica que a situação está insustentável e que as autoridades competentes ainda não se manifestaram para resolver o problema. Segundo ela, a chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Maria Genoveva Belucci, é procurada regularmente para solucionar os problemas.
‘‘Mas ela sempre nos diz que o processo para a reforma está no Fundepar, já aprovado. Vamos até o Fundepar (Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná) e não tem nada, ninguém sabe de nada. Não sabemos mais a quem recorrer. Só recebemos promessas e mais nada’’, reclama. Estava marcada, para ontem à noite, mais uma manifestação de protesto contra a situação precária em que a escola se encontra.
A Folha procurou ouvir a chefe do NRE, Maria Genoveva Belucci, ontem pela manhã e à tarde, mas ela não foi localizada e nem retornou às ligações telefônicas.

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