O delegado nomeado de Ibiporã, Joaquim Gonçalves Pigarro, remeteu ontem ao Fórum daquela cidade o inquérito policial que apura a morte do vendedor e pastor lincenciado José Idalécio Bueno. Segundo informações do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, o inquérito será analisado pela Justiça e a Promotoria vai dar vistas nas investigações. O delegado especial Edmo Hermenegildo, nomeado anteontem por Leonyl Ribeiro, nem chegou assumir a presidência do inquérito. Bueno teria morrido depois de sofrer espancamento por policiais militares em frente ao posto da Polícia Rodoviária de Ibiporã, no final da tarde do último domingo. Conforme o Instituto Médico Legal, a morte do pastor teria sido por asfixia.
Na manhã do próximo domingo, haverá uma manifestação pública em Ibiporã, em sinal de repúdio à agressão e exigindo punição para os envolvidos. O caso gerou revolta na população da região, pela forma com que a vítima teria sido espancada em frente à esposa Mara e o filho Rodrigo, de 13 anos. ‘‘Meu pai pedia para eu não deixar ele apanhar e, quando tentava, era empurrado pelos policiais’’, contou Rodrigo na segunda-feira. Ele disse que viu o pai ser agarrado pelos cabelos e jogado no chão. Segundo Rodrigo, um dos policiais militares apertou o joelho contra o rosto de Bueno, enquanto outro colocava algemas na vítima. Rodrigo, logo depois do enterro do pai, teve que ser internado em uma clínica psiquiátrica no interior de São Paulo. A família não quis revelar o nome da cidade por motivos de segurança.
O sargento Teófilo, apontado como o pivô do caso, disse em entrevista à Folha que não houve espancamento. ‘‘Usamos a força necessária para conter a fúria do homem (José Idalécio Bueno), que estava irredutível em não se entregar.’’ No seu depoimento à polícia, Teófilo afirmou que a vítima estava embriagada e dirigia seu Opala em ziguezague pela BR-369. O militar vinha na direção de seu Fiat e contou que por diversas vezes teve seu veículo ‘‘fechado’’ por Bueno. Conforme laudo do Instituto de Criminalística, o Opala apresentava defeitos nos freios e no terminal da direção - por isso ziguezagueava na pista.
O Comando Geral da Polícia Militar em Curitiba mandou recolher ao 5º Batalhão da PM o sargento Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Anilton Rodrigues e João Reis (todos apontados como autores do espancamento). Há denúncias de que a família Bueno estaria sendo ameaçada por eles. O material colhido na autópsia de José Idalécio Bueno foi levado para Curitiba ontem à noite pelo legista Fernando Milani. O material servirá para exames e confirmar se ele estava embriagado e se sofreu ferimentos internos.
(Paulo Ubiratan)

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