Protesto espera reunir 30 mil pessoas
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segunda-feira, 12 de maio de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Ney de SouzaResistênciaManifestantes ocuparam a estrada na quinta-feira e imediatamente iniciaram trabalhos de roçada Organizadores da manifestação pela reabertura da Estrada do Colono - agora rebatizada como Caminho do Colono - esperam reunir pelo menos 30 mil pessoas hoje no Parque Nacional do Iguaçu. A manifestação estava sendo preparada há dois meses, mas acabou antecipada por causa da ação-surpresa desencadeada quinta-feira por agricultores da região, que reabriram o trecho, de 17,3 quilômetros, entre o município de Serranópolis do Iguaçu e o Rio Iguaçu, no limite do município de Capanema.
Além da mobilização espontânea de moradores da região - que nunca se conformaram com o fechamento da estrada - organizações privadas, cooperativas e prefeituras de municípios junto ao Parque estão diretamente envolvidas na manifestação, liberando funcionários.
Estão sendo esperados dez deputados estaduais e cinco federais da região, prefeitos de vários municípios, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, José Carlos Gomes de Carvalho, e outros grupos de apoio.
O deputado Irineu Colombo (PT) está em Serranópolis do Iguaçu desde quinta-feira, juntamente com prefeitos da região, que formam a comissão de frente da mobilização. Eles se instalaram em barracas, juntamente com grande número de agricultores.
Segundo Colombo, desde a reabertura do trecho, as pessoas passaram a conhecer e admirar o parque. Foram iniciadas ontem atividades de duas escolas ambientais, uma em cada ponta do trecho, frequentadas por grande número de estudantes. Para o deputado, o fechamento criou apenas animosidades e não serviu para aumentar a proteção à reserva, e é isto que queremos enfatizar.
A decisão da Justiça Federal, em 1986, contemplou a alegação de que a circulação de carros colocava em risco fauna e flora, principalmente depois que o governo do Estado iniciara a pavimentação do trecho.
O presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Industriais do Oeste, Walmor Lemainski, disse ontem que a estrada nunca prejudicou o parque. Municípios da região acumularam grandes prejuízos, por terem ficado praticamente isolados, nos extremos da reserva, e a população obrigada a percorrer uma distância praticamente dez vezes maior para contornar o parque.
O fechamento é consequência de uma ação movida na Justiça Federal de Foz do Iguaçu por Arnóbio Ricardo da Silva, na época vice-presidente do PTB da cidade. Na época, ainda não estava constituída juridicamente a associação ambientalista Adeafi, que também defendia o fechamento.
A liminar concedida em 1986 é mantida até hoje, sem que tenha havido julgamento de mérito. A situação é condenada pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), que integra os defensores da reabertura.
A Aipopec insiste há anos, junto ao Supremo Tribunal Federal, para que autorize perícia no Parque, para avaliar os efeitos da implantação de uma estrada-parque, cercada de garantias à fauna e flora, e com um plano de integração e manejo de áreas vizinhas à reserva, projetos apoiados pelo governo do Paraná.
Em 1994, o Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre (RS), anulou decisão que impedia a realização da perícia, mas em 95 o Ministério Público apresentou agravo de instrumento (para manter a sentença), acolhido preliminarmente pelo Supremo. Ainda resta fazer o julgamento final.
Segundo o agrônomo Marcos Pagani, de Capanema, coordenador da Aipopec, é possível implantar uma estrada-parque que contribua para a preservação do Parque Nacional, que deve ser feita por populações que com ele convivam e o tenham como amigo.


