Rolândia - Parte do comércio de Rolândia (Norte) deve fechar as portas na tarde hoje, entre 15 e 16 horas. A iniciativa tem como objetivo demonstrar o repúdio da população aos trens que cortam a cidade impedindo o trânsito de veículos e pedestres em diversas vias, provocando barulho, poeira e poluição. Os participantes do ato cobram uma solução da América Latina Logística (ALL), empresa que opera o sistema ferroviário no município.
Proprietário de uma farmácia localizada no Centro da cidade, Elton Becker diz que convive diariamente com os transtornos causados pelos trens. ''Moro no Distrito de São Martinho e, para chegar ao trabalho, tenho que percorrer vários quilômetros a mais de carro para conseguir atravessar alguma rua que não esteja impedida pelos vagões. Além disso, ouço constantes reclamações dos clientes pelo mesmo motivo'', afirmou, ao revelar que irá aderir ao repúdio.
O dono de uma casa lotérica enfatiza que o impedimento das vias tem causado transtornos devido ao atraso dos funcionários. ''Como trabalhamos com operadores de caixas que atuam em escala de revezamento o atraso de uma pessoa que não consegue chegar no horário por causa do trem acaba atrapalhando outros funcionários também'', ressalta Paulo Fujita.
Já o comerciante Shigueo Maeda reclama dos apitos constantes e do lixo acumulado ao lado dos trilhos. ''Os maquinistas apitam o tempo todo. A gente é obrigado a conviver com esse barulho o dia inteiro. Além disso, o pessoal da ALL retira entulhos das linhas e deixa montes de lixos durante semanas em vários trechos'', queixa-se ele, que é dono de um posto de gasolina.
As reclamações não são exclusivas dos comerciantes. ''Tenho que sair de casa mais cedo todos os dias porque os vagões impedem a passagem dos pedestres e corro o risco de chegar atrasada no trabalho'', afirmou a comerciária Ana Antoneli. ''A gente nunca sabe quanto tempo vai demorar para chegar em qualquer ponto da cidade cidade que precise passar por alguma rua que cruza a linha do trem, pois ela pode estar impedida a qualquer hora do dia'', afirmou o autônomo Ademar Lazarin, um dos organizadores do repúdio.
Uma funcionário pública que preferiu não se identificar diz que o impedimento das ruas coloca em risco a vida da população, principalmente crianças. ''Devido ao trânsito que vive impedido, muitas vans e ônibus acabam deixando os passageiros fora de seus pontos, fazendo com que as pessoas se arrisquem ao cruzar a linha do trem'', afirma.

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