Curitiba - Cerca de 200 pessoas bloquearam o terminal de ônibus de Bocaiuva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), na manhã de ontem. Durante a tarde, quase uma centena de moradores continuaram o bloqueio e esvaziaram os pneus de três ônibus que fazem o único caminho que permite aos usuários saírem do município, a linha Bocaiúva do Sul/Guaraituba. O motivo da manifestação é o valor de R$ 2,70 pela tarifa da linha, única que faz parte da Rede Integrada de Transporte (RIT).
A população exigia que o valor caísse para R$ 2,20, como é no restante da rede. Além disso, os moradores querem a tarifa domingueira a R$ 1 -a exemplo de Curitiba- e mais ônibus na linha, o que diminuiria o tempo de espera no terminal. A linha leva os moradores para o terminal do Guaraituba, em Colombo (RMC).
A RIT é gerida e operacionalizada pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), por meio de um convênio com a Coordenação da RMC (Comec), órgão estadual. São 46 quilômetros entre Bocaiuva e o terminal do Guaraituba. A Urbs explicou que a tarifa é calculada com base no número de passageiros (1,3 mil por dia) e na distância percorrida.
Abel Machado, morador de Bocaiúva, que participou do protesto, acredita que a tarifa tem que ser igual para todos os municípios. "Tem gente falando em até queimar os ônibus se a Urbs e a Comec não aparecerem aqui", alertou Machado. Segundo ele, o valor impõe dificuldades até na hora de ser contratado por empresas em outra cidade, que não gostariam de arcar com o valor maior da passagem para um funcionário que morasse em Bocaiuva. "O cidadão não quer nem mais nem menos, quer é igualdade", afirmou Machado.
Até o final da tarde de ontem, o impasse não havia sido resolvido. A Urbs informa que pode reavaliar a passagem, mas não pode subsidiar o déficit que causaria ao fundo municipal de transporte. De acordo com a Urbs, a queda no valor é possível desde que haja uma cobertura do custo.
Quem legalmente pode cobrir o custo, além da Urbs, é a prefeitura, que alega não ter condições econômicas. A presidente da Comec, Letízia Fiala, já avisou que o órgão que preside não tem responsabilidade nem força para ingerir no processo e, em razão da não-previsão orçamentária, não poderia custear o déficit que seria criado.
Para o vice-prefeito e secretário da administração do município, Antonio Martinez de Barro, o impasse é uma questão de vontade política. "Se hoje os governos (de Curitiba e do Paraná) fossem do mesmo partido, o problema já teria sido resolvido e quem paga por isso é o povo bocaiuvense", afirmou.

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