Silvana Leão
De Londrina
Em Londrina, por volta das 15 horas os caminhoneiros começaram a parar seus veículos nos acostamentos na BR-369, no cruzamento com a PR-445 (divisa entre os municípios de Londrina e Cambé). Depois de uma hora, cerca de 150 caminhões – conforme cálculo da polícia rodoviária – estavam estacionados, a maioria na rodovia. A manifestação foi calma e não houve líderes.
No início, chegou-se a cogitar a interdição das pistas, o que acabou não ocorrendo. ‘‘Nós viemos para ajudar e se precisar vamos colocar o caminhão no meio da pista’’, disse Vanderlei Decker, proprietário de um posto de combustível. Ele tem uma frota de 20 caminhões que fazem o transporte de combustível de Curitiba para Londrina diariamente. ‘‘Eu gastava R$ 64,00 a cada viagem. Agora vou gastar R$ 146,00. Este preço já está assustando grandes empresas que trabalham com grãos. O Paraná tem um dos pedágios mais caros do País’’, desabafou Decker.
A indignação era compartilhada por muitos que faziam parte do protesto. Antonio João de Oliveira, de Arapongas, lembrou que os caminhoneiros transportam todo tipo de mercadoria, de alimentos a cosméticos, ‘‘e mesmo assim não somos respeitados’’. A pouca força do movimento, segundo ele, era por causa do medo que a maioria estava sentindo. ‘‘Não temos atenção de ninguém e temos muitas dívidas para pagar.’’
Seu inconformismo era também com os poucos benefícios que os pedágios vêm trazendo. ‘‘O que foi feito até agora com este dinheiro? A gente viaja por estas estradas e elas estão um horror. Enquanto isso, nós temos que arcar com as despesas com manutenção dos caminhões, que são altíssimas. Um pneu custa em média R$ 700,00’’, exemplificou o caminhoneiro, que defende um outro tipo de protesto. ‘‘Para mim, seria muito mais sensato se todos carregassem o caminhão e em vez de viajar ficassem em casa, até começar a faltar de tudo no País. Esta é uma greve que tem que ser feita de maneira articulada.’’