Curitiba - Moradores da Vila Palmeira atrasaram ontem a abertura da maior central de abastecimento do Estado, a Ceasa, em Curitiba, por aproximadamente sete horas, em protesto contra o fechamento de uma passagem improvisada existente no muro da empresa e usada pela população. A manifestação só terminou por volta de 10 horas, depois que a direção da Ceasa se reuniu com representantes da comunidade e se comprometeu a reabrir um acesso nos fundos do terreno, com entrada restrita a pessoas devidamente cadastradas junto ao órgão.
A manifestação envolveu cerca de mil pessoas, segundo avaliação da Polícia Militar, e provocou congestionamento nas duas pistas da BR-116, estrada que liga São Paulo ao Rio Grande do Sul. Os moradores começaram a se concentrar em frente à Ceasa a partir das 2 horas mas o protesto começou para valer uma hora depois, quando os primeiros caminhões chegaram para descarregar produtos hortigranjeiros nos boxes. Para impedir a entrada dos caminhoneiros, os manifestantes bloquearam as duas pistas e queimaram pneus na entrada da Ceasa.
Aproximadamente três mil caminhões foram retidos fora da empresa, obrigando-os a permanecer parados nas duas pistas da BR-116. Vários produtores e comerciantes chegaram a vender seus produtos na rua mesmo. De acordo com o chefe da Polícia Rodoviária Federal, Adriano Marcos Furtado, a situação do tráfico na BR-116 só não ficou mais grave porque a polícia abriu dois desvios paralelos à estrada no início da manhã, evitando um congestionamento maior.
A acesso na área da Ceasa é um problema que existe desde que o terreno nos fundos da central foi ocupado pelos moradores da atual Vila Palmeira. O muro foi derrubado várias vezes pela população e reerguido pela direção da empresa. Os moradores da vila que trabalham na Ceasa queixam-se que, sem o acesso pelos fundos, eles são obrigados a andar dois quilômetros a mais para chegar no portão principal. ''Eu começo a trabalhar às 4 horas. Sem o portão de trás tenho que acordar meia hora mais cedo'', queixa-se Adriana Barea, 21 anos, funcionária da lanchonete da Ceasa.

mockup