Especial para a Folha
O assassinato na noite de quinta-feira de um taxista de 63 anos, no exercício de seu trabalho, foi a gota d’água da revolta dos taxistas de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Há seis meses, a Associação de Rádio Táxi de Pinhais, vem registrando três assaltos por semana na sua frota. Ontem os motoristas organizaram uma carreata pelas ruas da cidade para pedir mais policiamento.
O taxista Imperalino dos Santos, há 13 anos na profissão, atendeu dois passageiros na Avenida Iraí, centro da cidade, às 20h40. Meia hora depois, o taxista Sérgio Kaiser, que passava no bairro de Guaratiba, foi avisado por um motorista de ônibus que havia um homem morto, dentro de um taxi, na região. Sérgio foi encontrou Imperalino, assassinado com dois tiros na cabeça. ‘‘Os assaltantes não levaram nada. Provavelmente se assustaram com a passagem do ônibus’’, acredita Kaiser. A polícia não suspeitos do crime.
Essa é apenas uma das histórias violentas vividas pelos taxistas nas madrugadas de Pinhais. Carlos dos Santos Machado diz que até hoje agradece por ter saído vivo de um assalto, há 15 dias. Ele levava dois passageiros, às 0h50, quando foi retido e trancado no porta-malas do seu carro, onde permaneceu durante três horas. Os ladrões levaram o rádio PX, toca-fitas, telefone celular e R$ 180. ‘‘Estou na praça há dois meses e meio e só neste último mês fui assaltado duas vezes’’, reclama.
Ontem pela manhã, perto de 100 motoristas sairam em carreata da central de rádio taxi, até a Câmara dos Vereadores de Pinhais, que fica em frente ao Distrito Policial. Alguns vereadores, que estavam na casa, sairam da câmara para ouvir a reclamação dos taxistas. O Delegado de Pinhais, Maurilúcio Alves de Souza, disse aos motoristas que não estava ciente de tantos casos de assalto. ‘‘As queixas não estão sendo registradas, assim nós não podemos fazer nada.’’, afirma. O principal pedido feito ontem pelos taxistas é que sejam feitas abordagens policiais nos taxis, durante as madrugadas, para inibir os assaltantes.

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