Protesto de mutuários paralisa rodovia
PAIÇANDU Protesto de mutuários paralisa rodovia PR-323, entre Paiçandu e Maringá, ficou interditada por quase duas horas; manifestantes incentivaram invasão de casas Marcos NegriniPASSAGEM IMPEDIDAMutuários inadimplentes jogam pneus no incêndio provocado para bloquear a PR-323 durante protesto Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha Mais de 200 moradores dos conjuntos residenciais Primavera e Novo Horizonte, de Paiçandu (10 quilômetros a oeste de Maringá), interditaram, ontem, por quase duas horas, a rodovia PR-323 que liga os dois municípios. O protesto do Movimento dos Mutuários de Maringá e Região teve objetivo de chamar a atenção para os despejos judiciais provocados pela inadimplência junto a Caixa Econômica Federal. Os mutuários colocaram fogo em pneus e galhos para fechar os dois lados da pista. Líderes do movimento afirmaram ontem que estão incentivando a reocupação de casas vazias nos conjuntos. Objetivo é iniciar um movimento dos sem-teto na região. Mais de três quilômetros de engarrafamento se formaram nos dois sentidos da rodovia. Houve princípio de tumulto quando ônibus e carros tentaram furar o bloqueio e passar às margens da pista. A Polícia Militar acompanhou o protesto e chamou uma equipe do Corpo de Bombeiros para apagar o fogo nos pneus. Os mutuários levaram faixas e cartazes com dizeres contra a política de financiamento habitacional do Governo Federal através da Caixa. Em uma das faixas, o movimento fez uma analogia da situação dos mutuários com o auxílio moradia de R$ 3 mil concedido aos juízes. Os dois conjuntos abrigam 380 casas de 27 metros quadrados com prestações que variam de R$ 58,00 a R$ 93,00. O movimento dos mutuários exige uma negociação coletiva para as prestações atrasadas, redução de valores e fim da cobrança do seguro de R$ 38,00 mensais. Segundo Cláudio Timossi, um dos coordenadores do movimento, foram expedidas 23 ordens de despejos contra mutuários de Paiçandu. Timossi afirmou que três famílias já saíram das casas e que o movimento está incentivando a reocupação. Segundo a Superintendência da Caixa, a região é a maior em inadimplência do Sul do País. Dos 18 mil contratos, entre 30% e 45% estão inadimplentes. O movimento marcou para os próximos dias 25 e 26, em Sarandi, o Encontro Nacional dos Mutuários. As lideranças pretendem aprovar um calendário de lutas que serão deflagradas em todo o país este ano, até uma solução para os casos de inandimplência e despejos dos mutuários. Documento com este calendário será enviado ao Governo Federal.





