Foz do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, ameaça promover um blecaute e decretar o luto do turismo amanhã, entre 20 e 21 horas. A manifestação é organizada por empresários do setor turístico, em protesto contra o desemprego. O município possui o terceiro maior parque hoteleiro do País, perdendo apenas para o Rio de Janeiro e São Paulo.
Durante uma hora, os estabelecimentos gastronômicos e de hospedagem de Foz vão apagar luminosos e passarão a atender a luz de velas. Os empresários afirmam que o movimento não significa um protesto pela crise, mas solidariedade com os milhares de desempregados do setor turístico.
O movimento dos hoteleiros é isolado e não tem a participação de nenhuma das entidades ligadas ao setor ou da Foz do Iguaçu Turismo Ltda, a Foztur (empresa oficial de turismo da cidade).
Durante o protesto de domingo, os empregados de hotéis e restaurantes deverão trabalhar com tarjas pretas, em sinal de luto. ‘‘É um movimento solitário. Cada um vai fazer a sua parte’’, diz o empresário Xenofontes Villanueva, um dos idealizadores da Campanha Apague as Luzes.
Em 96, a ocupação média dos 26 mil leitos de hotéis existentes em Foz ficou em 38%. ‘‘Se essa situação não for revertida em dois anos, o único caminho será fechar as portas’’, acredita o empresário Antônio Hernandes Gonzales Junior.
Um estudo encomendado pelos hoteleiros, sobre o impacto sofrido nos últimos quatro anos, aponta que, em 92, os hotéis empregavam cerca de 14 mil trabalhadores e ainda geravam 58 mil empregos indiretos. Atualmente, com a queda de 64% na taxa de ocupação, apenas 5 mil pessoas fazem o contingente de trabalhadores desse setor. Os empregos diretos somam 22 mil.
Em 92, os empresários elaboraram junto com o Sebrae e Foztur, o Plano de Desenvolvimento Integrado de Turismo. Com pouco empenho da iniciativa pública e privada, o Sebrae voltou a reunir o ‘‘trade’’ em janeiro para elaborar uma nova proposta. Eles constataram que os problemas que atingiam o setor há dois anos são mesmos até agora. Porém, com mais intensidade.
Segundo eles, a baixa conscientização turística da comunidade, deficiência na atuação política e institucional, precária estrutura da região para o turismo e reduzido aproveitamento dos recursos e atrativos disponíveis são os principais obstáculos. Os hotéis que trabalham com o turismo de compras enfrentam o impacto negativo da queda na cota de importação do Paraguai, de US$ 250 para US$ 150.
A crise em Foz é reflexo do movimento comercial em Ciudad del Este. O comércio de produtos importados já chegou a movimentar US$ 12 bilhões por ano. Hoje, esse movimento foi reduzido para US$ 6 bilhões, segundo a Câmara de Comércio local.

mockup