Protesto de estudantes fecha terminal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Uma manifestação de estudantes e trabalhadores contra o aumento da tarifa de ônibus fechou ontem o Terminal Urbano de Londrina por cerca de uma hora. O protesto foi acompanhado de perto pela Polícia Militar (PM), que não interveio. Os usuários do sistema dividiam-se entre a vontade de ir embora após um dia de trabalho e o apoio à causa dos manifestantes. Pelo menos três quarteirões ficaram completamente tomados por um congestionamento apenas de ônibus.
O protesto foi organizado pelo Comitê pelo Passe Livre, Redução da Tarifa e Estatização do Transporte. Os estudantes se concentraram na Praça Rocha Pombo, onde foram distribuídos apitos e faixas entre os manifestantes. Por volta das 17h40, o grupo bloqueou a saída do terminal, na esquina das Ruas Benjamin Constant e São Paulo.
O professor universitário Evaristo Colman, um dos organizadores do protesto, disse que a decisão da administração municipal de autorizar o aumento nas férias escolares foi um ''ato covarde.'' ''É absolutamente inaceitável. o prefeito anunciou o aumento covardemente em janeiro, mas isso não pode ficar sem resposta. Estamos organizados para reverter o aumento e cobrar a redução para R$ 1,35'', afirmou. O valor da tarifa subiu de R$ 1,90 para R$ 2,00 no domingo.
Os manifestantes relembraram a morte do estudante Anderson Amaurílio da Silva, que morreu atropelado por um ônibus durante protesto contra aumento da tarifa em 2003.
A estudante Soraia de Carvalho, 24 anos, defendeu a tese da estatização do transporte coletivo. ''A passagem tem que baixar sem afetar o trabalhador. É preciso mexer no lucro das empresas'', argumentou. Os manifestantes chamavam os usuários do terminal para participar da reivindicação. Até um carro de som foi usado para tentar a adesão de mais participantes. Mesmo indignados com o atraso na hora de voltar para casa, a maioria dos passageiros apoiou a iniciativa.
Responsável pelo acompanhamento da manifestação, o capitão Roberto de Moura Rocha, da PM, disse pouco antes do bloqueio dos ônibus que pretendia negociar para que o direito de protestar não interferisse na rotina de quem precisava ir embora. ''A idéia é negociar e conversar'', salientou. O fechamento da saída durou aproximadamente o tempo estimado pela polícia.
Os líderes do movimento disseram que tentaram debater o assunto com representantes da prefeitura e da promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor, mas não teriam obtido retorno.
A assessoria da promotoria informou ontem que está instaurando um procedimento investigatório preliminar para verificar a necessidade do reajuste e vai pedir a planilha de custos à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).


