Protesto da Unioeste fecha BR-277
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
Alunos, professores e funcionários da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), interromperam durante 20 minutos, na manhã de ontem, a BR-277, no trecho que passa dentro de Cascavel. A manifestação repudiando a falta de recursos e o sucateamento da instituição causou a formação de uma longa fila de veículos, e integrou o protesto estadual das universidades públicas do Paraná contra o governo do Estado
O protesto reuniu cerca de 1,5 mil pessoas que exibiram faixas e cartazes e distribuíram panfletos explicando aos motoristas que esperavam na fila os motivos da manifestação. Um dos panfletos dizia, ''estamos vendo nossa universidade morrer, e cada vez mais nos vemos sufocados pelos interesses de sucateamento para sua posterior privatização''.
O representante do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Paraná (Sintioeste), Luiz Fernando Reis, afirmou que o protesto tinha a intenção de mostrar a toda população a luta de toda comunidade universitária pela ampliação do orçamento da Unioeste, que para este ano foi suficiente, apenas, para a folha de pagamento. ''Uma universidade não consegue se desenvolver se não houver recursos para custeio. Cansamos de alertar que a Unioeste está totalmente sucateada.''
Para Luiz Fernando, ''se o governo do Estado não enviar recursos imediatamente a única solução será interromper as atividades em toda universidade. O problema não está acontecendo apenas no campus de Cascavel, em todos os outros campi a situação já começa a ficar difícil. Aqui foi o primeiro porque é o maior, mas em todos os problemas estão sendo empurrados com a barriga''.
Depois de protestarem na rodovia, os manifestantes voltaram ao campus onde invadiram a reitoria para esperar a chegada de uma comissão chefiada pela diretora-geral da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Mirian Wellner. Os acadêmicos acreditavam que a vinda da comissão estava relacionada a uma possível intervenção do Estado na universidade.
Wellner garantiu aos manifestantes que sua vinda a Cascavel estava relacionada ''a uma cooperação da Secretaria com a parte administrativa da universidade devido aos últimos problemas financeiros ocorridos na instituição''. Sobre os problemas de falta de recursos, a diretora da Seti disse que no final do ano passado, ''foram liberados R$ 106 mil para o curso de Odontologia''. Entretanto, alunos e professores do curso negaram que esse dinheiro tenha chegado ao campus.
Em relação ao afastamento do diretor do campus de Cascavel, Paulo Wolff, a diretora disse que já foi instaurado um processo administrativo para apurar as denúncias de irregularidades na administração do campus apresentadas pelo Tribunal de Contas do Paraná. Enquanto isso, ele permanece suspenso por tempo indeterminado.
Apesar do reitor em exercício, Wilson Iscuissati, já ter escolhido o sucessor de Paulo Wolff, o cargo permanece vago por uma decisão do Conselho do Campus que considerou ''abusiva e arbitrária'' a medida de afastamento. Para definir o nome do novo diretor do campus de Cascavel, foi marcada para hoje uma reunião do Conselho Universitário.


