Protesto contra racismo nos 500 anos O Movimento Negro marcou a manifestação em Curitiba para o Dia Inte rnacional de Conscientização Contra a Discriminação Racial Arquivo FolhaArquivo FolhaINDIGNAÇÃO Jaime Tadeu da Silva, presidente da Ação Cultural da Negritude e Ação Popular (Acnap): ‘‘Os números falam por eles mesmos’’. Ao lado, manifestação de punks contra ação dos skinheads realizada no ano passado, em Curitiba Maigue Gueths De Curitiba ‘‘Brasil, outros 500’’. É este o mote de um manifesto que entidades do movimento negro lançam em Curitiba na terça-feira, dia 21, quando se comemora o Dia Internacional de Conscientização Contra a Discriminação Racial. O slogan é o mesmo da campanha nacional da Central Única dos Trabalhadoers (CUT) que se contrapõe às festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil. No manifesto, fica clara a trajetória de racismo enfrentada pelos negros. As discriminações aparecem nos relatos sobre a colonização brasileira, nas dificuldades do mercado de trabalho atual e nas expectativas para o futuro, traçadas com pessimismo. Esta falta de perspectivas é explicada com um argumento fácil de compreender: como acreditar em melhorias em um País que se diz não racista, mas que ainda classifica os negros como ‘‘pardos’’ em fichas de identificação e exige fotografias e ‘‘boa aparência’’ na hora de escolher um candidato aos empregos? Recentemente, até mesmo o embaixador André Amado, diretor do Instituto Rio Branco do Itamaraty reconheceu que existe racismo no Brasil. Segundo ele, ‘‘o Brasil está ensaiando a capacidade de indignar-se com as discriminações, mas ainda precisa praticar este novo discurso’’. De acordo com Osvaldo Alves de Araújo, diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e integrante do Coletivo Estadual de Sindicalistas da CUT contra a Discriminação Racial, o presidente do banco HSBC no Brasil, Michael Geoghegan, também se mostrou surpreso por não encontrar negros ocupando altos cargos no banco, enquanto na Inglaterra, onde os negros são minoria, isto acontece. ‘‘Um negro pode ficar dez anos no banco e vai continuar como escriturário. Já um branco com três, quatro anos já está no cargo de gerência’’, reclama Araújo. ‘‘Dos 500 anos de Brasil, quase 400 foram de exploração de índios e negros’’, diz a diretoria do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir). Estudos mostram, ainda, que cerca de 10 milhões de africanos foram escravizados no País entre 1550 e 1850, sendo que 40% vieram para o Brasil. Tanto é verdade que o Brasil é, hoje, o segundo em população negra no mundo, perdendo apenas para a Nigéria, na África. ‘‘Para os negros, estes 500 anos representaram escravidão, discriminação, racismo’’, diz Araújo, lembrando que a segregação começou logo após a Lei Áurea, com a chegada de imigrantes europeus, que ganharam terras e emprego, enquanto os negros tiveram que se virar em trabalhos provisórios e morar nas periferias, em favelas. Para Jaime Tadeu da Silva, presidente da Ação Cultural da Negritude e Ação Popular (Acnap), esta discriminação continua até hoje. ‘‘Os números falam por eles mesmos. É só ver a falta de oportunidade no mercado de trabalho, na pouca quantidade de negros nas escolas e na quase inexistência nas universidades’’, diz.

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