Protesto contra acidentes fecha BR-369
Telma Elorza
De Londrina
Um protesto contra os frequentes acidentes no quilômetro 142 da BR-369, entre Londrina e Ibiporã, complicou o tráfego de veículos naquele trecho durante toda a manhã de ontem. Cerca de 500 manifestantes entre moradores, trabalhadores e empresários do Parque Industrial de Ibiporã chegaram a interromper totalmente o trânsito por 20 minutos. Longas filas de veículos foram formadas nos dois sentidos da rodovia. O protesto só terminou quando a diretoria da Econorte, empresa concessionária da rodovia, se comprometeu a discutir melhorias no trecho com os líderes do movimento, representantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e Polícia Rodoviária, hoje, às 10 horas.
A manifestação começou por volta das 7 horas de ontem, quando um grupo de moradores dos bairros San Rafael e Santa Paula, localizados às margens da rodovia, interrompeu a passagem de veículo com galhos de árvores e pedras, desviando o tráfego para o acostamento e vias marginais. Os moradores se anteciparam a outro protesto coordenado por empresários do local, que estava marcado para às 10 horas. Às 10h20, duas fábricas de roupas liberaram os funcionários para o protesto.
A gente não pode mais deixar acontecer acidentes aqui. São muitas famílias nos dois bairros, que têm que cruzar a rodovia frequentemente, correndo risco de vida, afirmou a presidente da Associação dos Moradores do San Rafael, Arlete Terezinha da Silva. Segundo ela, a população dos dois bairros vêm pedindo melhorias no trecho desde 1995.
A revolta dos moradores encontrou eco nos empresários e trabalhadores da região. A maioria dos manifestantes não se conformava com o atropelamento da costureira Rosinéia Verneke, 28 anos, ocorrido na última quinta-feira, quando chegava ao local de trabalho, por volta das 7 horas. Ela desceu do ônibus e, quando foi atravessar a pista, foi atropelada. Ficou meia hora estendida aqui no chão até chegar a ambulância. A gente teve que ficar fazendo barreira para que outros carros não passassem em cima dela, porque eles (os motoristas) nem reduziam a velocidade, disse a costureira Maria José Guirado, 32 anos. Rosinéia está internada do Hospital Evangélico à espera de cirurgia. Ela passou quatro dias na UTI, com traumatismo craniano e diversas fraturas pelo corpo.
São mais de dois mil carros passando por aqui a cada hora. Na área, temos mais de 20 empresas que empregam mais de mil pessoas. Eu mesmo tenho funcionários de Cambé, Londrina, Ibiporã, Jataizinho que são obrigados a atravessar a pista todo santo dia. E os acidentes são constantes, afirmou o empresário Antônio Valdemir Zago, dono de uma indústria de confecções. Ele acrescentou que os empresários já encaminharam vários ofícios à Econorte, DER e Polícia Rodoviária pedindo mais segurança. Só que ninguém nunca nos respondeu. Só queremos que venham conversar conosco. E se este protesto não resolver, vamos voltar depois de amanhã (amanhã), semana que vêm, na outra, até que alguém faça alguma coisa.
De acordo com Paula Frassinette, sócia-gerente da empresa para qual a costureira atropelada trabalha, é difícil ficar quieto quando se vê tanto perigo. As mulheres enfrentam riscos todo dia para chegar ao trabalho e para ir embora. A maioria pertence até a uma faixa de idade onde já não há tanta agilidade para escapar dos carros.
A maioria dos motoristas presos no congestionamento apoiava a manifestação. Para José Olavo dos Santos, 43 anos, que tentava chegar à Londrina, o protesto é válido. Se eles (Econorte) podem cobrar um absurdo de pedágio, tem a obrigação moral e legal de dar segurança aos usuários, afirmou. Outro que também dava apoio era o caminhoneiro Alceu Martins, 34 anos. A caminho de São Paulo com uma carga de perecíveis, ele se conformou em esperar. A gente devia ter chamado esta mulherada para nosso protesto no mês passado, brincou.
Segundo o comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária, capitão Washington Alves da Rosa, que acompanhou todo o protesto, a solução para o trecho é o término das obras do Contorno Norte, que vai desviar todo o trânsito do trecho urbano de Jataizinho e Ibiporã. Até lá, porém, vamos tentar medidas paliativas junto à concessionária, como o reforço na pintura de faixas de travessia de pedestres e na colocação de sonorizadores. Além disso, vou tentar manter equipes da Rodoviária aqui, em horários de entrada e saída das fábricas, o que pode contribuir para reduzir a velocidade dos carros, disse.
Em nota oficial divulgada à imprensa, a Econorte afirmou que só a conclusão das obras do Contorno de Ibiporã previsto para ser entregue em 2002 poderá resolver o problema da região, que considera grave e antigo. Segundo a nota, a empresa não vai tomar outras medidas. É preciso ficar claro que o contrato entre a concessionária e o governo estadual não prevê outras intervenções no local, além da única obra capaz de solucionar o problema: o Contorno de Ibiporã. Medidas de caráter paliativo como sugere o grupo de moradores para amenizar o problema enquanto o Contorno está sendo executado só podem ser definidas e executadas em conjunto com a Prefeitura de Ibiporã e o Departamento de Estradas de Rodagem, conclui o comunicado.Trabalhadores e moradores do trecho entre Ibiporã e Londrina interromperam o tráfego exigindo soluções para os constantes acidentes no local
Josoé de CarvalhoBARREIRA HUMANA Manifestantes impediram a passagem de veículos nos dois sentidos da rodovia BR-369. Com faixas e cartazes os moradores, trabalhadores e empresários pediam o fim dos acidentes no trecho





