Protesto cobra mais segurança no trabalho
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terça-feira, 28 de abril de 2015
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina O Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho foi lembrado ontem em Londrina com a colocação de 270 cruzes na rotatória entre as avenidas Rio Branco e Leste-Oeste, na área central. O ato é uma referência ao número de vítimas fatais em acidentes de trabalho no Paraná em 2013, último dado disponível segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social. O local foi escolhido justamente por estar localizado em frente à Delegacia do Ministério do Trabalho e Emprego em Londrina.
Levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que, em todo o mundo, 313 milhões de empregados sofrem acidentes de trabalho a cada ano. São 270 milhões de acidentes anualmente, quase 31 mil por dia ao redor do mundo. Há dois anos no Brasil, aconteceram 717.911 acidentes de trabalho, dos quais 14.837 resultaram em incapacidade permanente e 2.797 em mortes.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Londrina (Sintracom), em 2013 foram registradas três mortes na construção civil na cidade. No ano passado, foram dois óbitos de trabalhadores autônomos, e este ano nenhuma morte ainda foi registrada em Londrina.
O presidente do Sintracom-Londrina, Denílson Pestana, ressaltou que em 2013 o Paraná estava entre os cinco Estados com o maior números de mortes no País e a manifestação foi uma forma de lembrar das vítimas e cobrar mais providências para aumentar a segurança dos trabalhadores. "A NR-18 completa este ano 20 anos e a segurança na construção civil hoje é muito melhor, porém ainda continuam acontecendo acidentes por falta de treinamento, pelo não uso de equipamentos de proteção individual e pela falta de conhecimento dos riscos por parte dos trabalhadores", frisou Pestana.
A Norma Regulamentadora 18, que trata da segurança nos canteiros de obras, obriga o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a instalação de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs). "Hoje todo trabalhador para começar a trabalhar precisa fazer pelo menos seis horas de treinamento para conhecer os riscos da profissão. Os EPCs são fundamentais para evitar os acidentes e os EPIs, para diminuir os danos", ressaltou o presidente do Sintracom.
A Região Norte do Paraná tem 12 mil empregados na construção civil, dos quais 10 mil somente em Londrina. Denílson Pestana criticou a falta de estrutura e de fiscais da Delegacia Regional do Trabalho para vigilância nos canteiros de obras. A Delegacia de Londrina é responsável pela fiscalização das condições de trabalho em 167 municípios. "Outro problema enfrentado é a falta de estatísticas. Os últimos números disponíveis são de 2013. Sem um diagnóstico preciso de onde aconteceram os acidentes, como, em quais categorias, quais as lesões sofridas como é possível elaborar políticas de prevenção?", questionou.


