Protesto cobra investigação de crimes contra mulheres
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Movimento de Familiares e Amigos das Mulheres Mortas e Desaparecidas da região de Almirante Tamandaré promoveu um protesto ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, para chamar a atenção das autoridades sobre a morosidade com que as investigações estão sendo conduzidas. Em painéis montados no local, estão contadas as histórias das vítimas. Os integrantes do movimento também criticam a falta de atenção das autoridades ao caso.
Segundo o advogado Carlos de Paula, que preside o Grupo de Apoio aos Povos Oprimidos, de 1999 até hoje 22 mulheres foram assassinadas ou estão desaparecidas na cidade. E só dois casos foram solucionados pela polícia. ''Na semana passada fizemos uma reunião com as famílias das vítimas e descobrimos mais dois casos'', contou. As desaparecidas são Gilmara Rodrigues de Oliveira, desaparecida desde o dia 31 de março de 1999, e Edivane do Rocio Polli, que desapareceu este ano. A polícia encontrou quatro ossadas e um corpo nos arredores do município, que permanecem sem identificação.
No dia 2 de janeiro, o movimento pretende entregar para os deputados um documento pedindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa, para acelerar a apuração dos casos. Outro documento, contando a situação vivida pelo município, será encaminhado para a Organização das Nações Unidas (ONU) e para a Organização dos Estados Americanos (OEA).
O advogado conta que em 1996 o Ministério Público fez um pedido para a Secretaria Estadual de Segurança, de reforço na estrutura da Polícia Civil na cidade. Mas até hoje a equipe continua do mesmo tamanho. ''Isso se agrava à medida em que vemos delegados como a Vanessa Alice dizerem que só não conseguem agilizar as investigações por falta de pessoal'', destaca.
Os dois casos que foram solucionados são de Vanessa E. dos Santos, vítima de latrocínio, cujos autores do crime já foram julgados, condenados a 20 anos, e estão presos, e de Joice Katolik de Vitte, cujos envolvidos já estão com prisão preventiva decretada. O assassinato de Joice tem relação com o crime organizado que vem atuando na região. A suspeita da polícia é que boa parte dos 20 casos ainda não solucionados esteja relacionada ao mesmo grupo que executou Joice.
Pelas investigações feitas até agora pelo Ministério Público, essa quadrilha seria formada por 17 pessoas, sendo oito policiais militares, um policial civil, um funcionário da prefeitura, um comerciante da cidade e um empresário do ramo da construção civil. Os outros cinco são ex-policiais. Um ex-policial e o proprietário de uma boate, que a polícia acredita que tinham envolvimento com a quadrilha, também foram assassinados.
''O clima na cidade é de total tensão e descrédito'', conta o advogado. A onda de violência mudou o hábito das mulheres de Almirante Tamandaré. ''As que trabalham fora até tarde procuram voltar para casa em grupos. Quando isso não é possível, alguém da família vai buscar'', contou.


