Protesto causa tumulto na frente de hospital em Londrina
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Desde ontem, familiares e amigos da enfermeira Maria Jeir da Rocha, 67 anos, vítima de um suposto erro médico, estão distribuindo 60 mil panfletos em vários locais de Londrina para protestar contra o Hospital Evangélico que, segundo eles, não está cumprindo a determinação judicial de custear o tratameto da enfermeira. No final da tarde, os manifestantes foram até o hospital entregar panfletos. Houve um princípio de tumulto porque a direção do hospital acionou a polícia.
Maria Jeir foi submetida a uma cirurgia cardíaca em 23 de julho de 1998 para receber uma ponte de safena e uma mamária. No prontuário hospitalar consta que a cirurgia foi realizada pela equipe do médico Francisco Gregori. Alguns dias depois da cirurgia, foi constatado que a paciente tinha sido contaminada por mercúrio, metal existente num aparelho denominado manômetro, que foi afixado no pulso dela durante a cirurgia para medir a pressão arterial com precisão. O mercúrio teria vazado do aparelho e entrado na corrente sanguínea da enfermeira. A família dela entrou com uma ação na Justiça responsabilizando o hospital e a equipe médica pela contaminação.
Por causa do mercúrio, a enfermeira já teve três dedos amputados e perdeu a função de um dos rins. No mês passado, devido às complicações em decorrência da contaminação, Maria Jeir esteve internada no Hospital Evangélico, onde permanceu por cerca de 30 dias. O plano de saúde que a família paga para enfermeira não cobre as depesas com materiais descartáveis nem a prótese renal que ela recebeu. Em função disso, o convênio médico está cobrando da enfermeira uma dívida de R$ 2,5 mil que a família entende que é de responsabilidade do hospital e da equipe médica.
O nosso protesto é para alertar as pessoas sobre o que aconteceu com a minha mãe e como o hospital está tratando a questão, disse o vendedor Wedson Pereira Jeremias, filho da enfermeira. Entre outras coisas, o panfleto diz que o hospital não dá assistência médica nem financeira para a vítima, apesar de duas determinações judiciais.
A assessoria de imprensa do Hospital Evangélico informou que não tem conhecimento de nenhuma determinação que obrigue o hospital a pagar qualquer tratamento à paciente. O hospital alega que a determinação judicial obriga apenas os médicos Celso Otaviano Cordeiro, Eliza Gregori e Francisco Gregori Junior a custearem o tratamento da enfermeira.
Francisco Gregori disse que a equipe médica está pagando tudo que a Justiça determinou, mas que os médicos não foram notificados a pagar os R$ 2,5 mil referentes à prótese e ao material descartável utilizado pela vítima no último internamento. Segundo Gregori, a equipe está pagando R$ 800,00 por mês para a enfermeira, além de exames médicos e medicamentos.
Tudo que a Justiça determina a equipe médica está pagando em dia. O hospital é que não está pagando a parte dele. Não contestamos que essa mulher é vítima de um problema ocasionado no hospital. Afinal, ela entrou sem a contaminação por mercúrio e saiu do hospital com o mercúrio. Mas a ação ainda não foi julgada e mesmo assim estamos pagando o que o juiz determinou. O conselho de ética do hospital já apurou que não houve erro médico, disse Gregori.


